16 de jun. de 2026

Ondas de Incerteza

Ela vagueia pelas sombras, em busca de luz,  
Um coração pesado, perdido na noite.  
Cada respiração é uma lembrança das batalhas travadas,  
Num mundo tão cruel, onde o amor é frequentemente procurado.  

Sussurros silenciosos ecoam, enquanto os sonhos desaparecem,  
Olhos cansados brilham com lágrimas, desencaminhando-a.  
Afogada em perguntas, ela anseia por um sinal,  
Por que eles a abandonam, à deriva em declínio?

O fardo

O véu de um sorriso forçado, reside a dor,
Um fardo pesado, que a alma devora sem amor.
No silêncio do peito, a tristeza se instala,
Um peso constante, que a vida desnaturaliza.

A máscara da alegria, esconde um sofrimento profundo,
Um mar revolto, em um cálice sereno e rotundo.
O mundo gira em caos, almas feridas e perdidas,
Em um eco vazio, as esperanças são divididas.

Planeta esgotado, coração contaminado,
A compaixão se exila, o futuro desolado.
Os sonhos, frágeis flores, murcham antes do amanhecer,
Em cada madrugada, a angústia volta a crescer.

Este fardo me oprime, um nó na garganta apertado,
Um grito silencioso, em um mundo desolado.
A cura parece distante, a sombra persiste em seu lugar,
Resta apenas a esperança, de um alívio, um novo ar.

O Enigma

A sombra da dúvida, um enigma cruel,
Sinais distorcidos, uma leitura incompleta.
Aproximo-me cauteloso, num passo discreto e vel,
Mas a imagem esvai-se, num turbilhão inseguro e reto.

As pistas, um labirinto de sombras e dor,
Um coração tentador, que pulsa em vão.
Oferece um amor que não pode alcançar, jamais,
Um desejo contido, numa prisão sem chão.

Os indícios me enganam, num jogo perverso e frio,
Apontam para um destino, distante e obscuro.
Tentativas frustradas, em vão me esfacelo,
Nesta busca infrutífera, e este enigma escuro.

Uma linha reta para uma alma distante, perdida,
Mas paredes invisíveis, impedem a união.
A proximidade ansiada, um sonho sofrido e ferida,
O quebra-cabeça incompleto, em profunda aflição.

Tudo vira pó

Muitas vezes, tudo o que consideramos importante,
Com o passar dos anos, tudo vira pó.
Tudo isso nos deixa nervosos duas vezes. 
O que resta é a derrota e o medo.

Aquelas pessoas que eram quase santas para nós, Escolheram seu próprio caminho difícil e pecaram. Acreditávamos que as verdades simples eram claras. 
Não se trai no delírio do prazer.

Ainda considerávamos nossas famílias importantes.
Ele próprio não conseguiu alcançar riqueza ou níveis de inteligência. 
Ele sempre colocou o dinheiro em primeiro lugar. 
E, em um instante, você está no portão trancado.

Não temos pena daqueles que ontem deram o exemplo. 
Ele separou a glória das pessoas na frente de todos.
Tudo estava providenciado, todas as medidas de seguro. 
Mas esqueci uma coisa: a Pátria não é um blefe.

O Tibete

Vou trilhar um caminho espinhoso
Para conhecer a irmã vermelha:
Sob a chuva quente de junho
Vamos brincar juntos com as crianças.

Vou dar o calor das bochechas vermelhas
Abençoada estrela branca
E riachos prateados e frescos,
Pérolas do lindo orvalho.

E, claro, um chamado ardente
Esmeralda, boa terra,
Canções de jovens lutadores vermelhos
E amor puro e gratuito.

Eu vou te contar sobre o oceano noturno,
Pensamentos e sentimentos nobres,
E então - a batida do tambor,
Aproveitando a dança do mangusto.

Faremos uma aliança sagrada,
Dois planetas brilhantes e inteligentes:
As comportas se abrirão para uma nova vida
E tempo feliz de vitórias!

A estrela carmesim está longe -
O duro Tibete me espera.
Não é fácil estar sozinho entre as montanhas,
Mas encontrarei a resposta certa.

Mortalidade

A morte, essa enigmática passagem,  
É o que a vida, em seu dar e tomar,  
Nos convida a refletir em sua miragem:  
Uma extensão, um eco a nos guiar.

Você pode apontar a arma, ensaiar o ato,  
Mas nunca exterminará a essência que aflora.  
Bala e veneno, o corpo em contrato,  
A carne cede, porém a memória ainda implora.

Sou a brisa que dança nas folhas ao vento,  
O murmúrio das ondas que nunca se vão.  
Trago nos rostos de quem perdi o lamento,  
Um legado vivido em cada conexão.

Corações que guardam um fragmento de mim,  
Histórias entrelaçadas, sussurros do passado.  
Mesmo em silêncio, a vida não tem fim;  
Na constelação das almas, eterno é o legado.

Seus gritos são ecos em noites de penumbra,  
Eu, que me recuso a ser apenas um dado.  
A verdade é que a vida, num ciclo, deslumbra:  
Sou luz nas estrelas, sou eternamente amado.

Então, pode tentar me apagar do presente,  
Mas saiba que a morte é só um véu sutil.  
Estou nas memórias, em cada semente,  
E nunca, jamais, morrerei de modo vil.

Dizem

Dizem que o jeito errado é o certo,   
Onde o choro ecoa, o escuro é o perto.   
Justamente ao tentar encontrar a paz,   
Errantes pensamentos, como ondas, se fazem mais.   
Frequências ruins dançam em minha cabeça,   
Roupas de tristeza, a mesma certeza.   
A luta interna, um corpo cansado,   
De sábado perdido, um tempo amargurado.   
Endireitar a dor é um desejo constante,   
Minhas feridas falam, um lamento distante.   
O eco do trauma ressoa,   
Silêncio que grita, a alma é quem doa.

A Tristeza

Como caíram os poderosos
E as armas de guerra pereceram.

O que antes era selvagemente belo
Está acorrentado, agora, pela humanidade,
Estressado, incapaz de se mover,
Incapaz de se alimentar, perdendo sua pelagem.

Não há vitória em destruir outra vida.

Os humanos não têm mais direitos do que qualquer outro animal.

Café

A poeta senta-se com o laptop no banco
Observando as pessoas na rua que passam.
Ninguém a nota: ele habita a sombra.
Um barista lhe traz uma xícara fumegante,
Seu aroma cortando sua solidão.
O vapor sobe como fantasmas de eras
Lembrando-a de tempos e pessoas que se foram.
Ele toma um gole: o calor revive as memórias
De ser outra pessoa, tão distante daqui.
Ele toma outro gole e começa a escrever.

O Peso das Sombras Familiares

Padrões antigos se agarram como cardos teimosos,
Vozes próximas, porém distantes como a geada.
Suas mãos, ausentes quando o fogo se apaga,
Nomes ligados por sangue flutuam em ecos ocos.

Eu me recomponho com passos instáveis,
Cada amanhecer costurado com fios de vontade.
A estrada à frente sussurra algo puro,
Um eu forjado, inflexível, inteiramente meu.

Lançado em Águas Frias

Lança-me em águas que não sabem fluir, imagina-me sob a luz das estrelas, lembra-te de mim como a chuva pesada na cidade.

Um despertar frio e desesperado, perdido na geada de coisas indizíveis, preso numa teia de aranha, enquanto corações se transformam em mofo.

Humilde meu começo, esteja comigo até a morte, no fim da miséria, não vejo futuro algum.

Pois isso permanece comigo, por todos os meus dias, persistindo nas profundezas da tristeza.

Mas abandonado à própria sorte.

O que apaga toda a minha dor, as nuvens de tempestade se acumulam no céu, mas não vejo uma gota de chuva, pois seu amor por mim agora morreu.

8 de jun. de 2026

Um Dia, Nós Nos Esqueceremos

Um dia,  
seu nome será brisa distante,  
um eco preso em ruas tortuosas.  
Buscarei o tom da sua risada,  
mas só encontrarei vácuo,  
não o que corta,  
apenas o que se dissolve,  
leve, como cinzas ao vento.  

Na sua rotina,  
ao segurar uma caneca,  
seus dedos vão pausar, incertos,  
como se tocassem um vazio com forma.  
Serei eu,  
ou quase eu,  
um rastro que não explica.  

Não haverá rancor,  
nem buscas em vão.  
Apenas seguiremos,  
como quem deixa pegadas na areia,  
esquecendo os quartos,  
os silêncios,  
os nós que nunca desatamos.  

Primeiro, somem os detalhes:  
o jeito que seu olhar dançava,  
o calor do seu ombro no escuro,  
o ritmo exato dos nossos passos juntos.  
Murcham,  
como flores que ninguém rega,  
até virarem pó na memória.  

Depois, as âncoras se soltam:  
o porquê do fim,  
as frases engolidas,  
os meios-termos que nunca achamos.  
Restará um vazio limpo,  
sem culpa ou peso,  
apenas o contorno do que fomos.  

Mas, quem sabe,  
em algum canto do tempo,  
você pare,  
sinta um vazio sem nome,  
e, sem entender,  
saiba que, um dia,  
quase fomos eternos.

Atenas

Não consigo evitar,
Continuo olhando para baixo,
Quando tudo está quieto,
As poças refletem a luz das guerras
Que se chocam em terras distantes.

Uma dança eterna, não tão bruxuleante,
Não tão brilhante,
Mas viva, ondula e se entrelaça,
No espelho líquido da minha solidão.

Foda-se os deuses e todo aquele brilho,
Eu tinha certeza de que conseguiria fazer tudo direito desta vez,
Mas o rosto torto no derretimento errante da neve
Revela a arrogância que insiste em permanecer,

Neste portal entre brilhos,
Entre sombras,
Entre o que é e o que parece ser.

E ainda assim, olho para baixo,
Esperando que as poças revelem
Não só guerras distantes,
Mas também o que há em mim,
Que insiste em se perder,
Entre o reflexo e a realidade.

Soneto sem Título

Enquanto o calendário vai riscando os dias,  
O dia dos namorados se aproxima veloz.  
Todos exibem carinhos, gestos, alegrias,  
E eu fico aqui sozinho — só na esperança atroz.

Nunca fui contaminado pelo vírus do amor,  
Nunca peguei essa febre de compaixão.  
Como se eu usasse luva branca de doutor  
Pra me proteger da doença da paixão.

Com o passar dos anos o desejo vai crescendo, 
As fantasias se armam, dançam na minha mente.  
Vou jogando fora a roupa de médico que eu venho tendo,  
Na esperança de que o amor, enfim, me encontre e me surpreenda.

O amor é a doença; o doente que se entrega e que deseja logo o contágio, quer sentir na pele inteira.

6 de jun. de 2026

A Dança Atada da Profundidade e da Sepultura

Até onde a respiração alcança, a vida se desdobra amplamente,
Mas as sombras seguem de perto, seus sussurros se entrelaçam.
O orbe fugaz do tempo gira, tanto refúgio quanto guia,
Cada pulso um passo mais perto da tênue linha da morte.

Agarramo-nos aos dias, embora sejam fugazes e impiedosos,
Cada amanhecer arde com uma graça emprestada e fugaz.
Mas em seu brilho, encontramos um hino sombrio,
O gêmeo de rosto luminoso da vida veste a face eterna da noite.

A alma, uma ponte das profundezas à altura infinita,
Trilha caminhos onde a dúvida e o consolo coexistem.
À medida que a morte se aproxima, ela oferece uma visão mais clara,
Revelando verdades que o ruído da vida muitas vezes negou.

Nesta valsa íntima, rival e amiga,
No abraço da morte, a vida compreende plenamente.

Sussurros de um Coração Emplumado

Minhas asas sussurram segredos para o céu,
Doces ecos pairam suavemente em minha língua.

Eu crio melodias que embalam sua tristeza,
Vibrando para trás em sonhos ainda não desvendados.

Leve como uma moeda, mas repleta de força,
Eu me elevo com serenidade,
Gentil como o último suspiro do crepúsculo,
O pulsar de um beija-flor invisível.

Pensamentos

Então, meu cérebro está constantemente funcionando
Através de ilusões ou delírios
Alimentando minha cabeça com pensamentos
Que simplesmente continuam sendo alimentados
Sem parar, eu digo a mim mesmo para simplesmente parar de pensar
Eu nunca consigo ser feliz ou estar no meu auge de felicidade
Energia de pensamentos constantes e repetitivos
Simplesmente me atinge instantaneamente.

Noiva de Guerra

Minha noiva de guerra em sua armadura
E seu brasão, a serpente prateada.

Infinito, a devoradora de caudas,
Marcando seu caminho
Resiste ao arnês que fui
Compelido a envolver como meu
Em nossas cinturas. Compartilharemos a dor,
Mas a vida dela é dela.

2 de jun. de 2026

O Abismo Silencioso

Eu o observei, uma visão sombria,
Seus olhos, antes vastos, agora vazios como orvalho.

Sem brilho, sem calor, sem sinal de conexão,
Apenas um vazio onde as estrelas se extinguem.

Ele despreza ou lamenta em dor?

As respostas se afogam em um refrão frio.

Meus pensamentos se estendem, tropeçam e caem,
Ecoando o silêncio, sem ponte alguma.

Sozinho

Tento me lembrar
de que ninguém caminha sozinho nesta vida,
que em algum lugar além destas paredes
alguém também está lutando para respirar.

Mas a noite tem uma maneira cruel
de desfazer todo pensamento reconfortante.

Quando me deito acordado no escuro,
o silêncio se torna ameaçador.

As sombras se estendem pelo quarto,
e todo medo que enterrei à luz do dia
encontra o caminho de volta para mim.

Os monstros rastejam silenciosamente então,
não debaixo da cama,
mas dentro da minha mente,
sussurrando que ninguém jamais poderia entender
o peso que carrego.

E na quietude,
com apenas o zumbido da noite ao meu lado,
sinto a dor de ser invisível.

Sinto o vazio se instalar no meu peito.

Sinto-me sozinho.

Esculturas Perfeitas

Como posso contemplar a lua em toda a sua beleza quando Deus levou nove meses para aperfeiçoar seus olhos?

Ele esculpiu aquilo que a lua só pode imaginar um dia se tornar.

12 de mai. de 2026

Silhueta de Devoção Fantasmagórica

Sob seu olhar, a lua sonolenta  
Acaricia pés descalços na areia,  
Caminhos tristes, sombras que inventam  
A boa mentira da palavra alheia.  

Vive a intensidade de uma criança,  
Lutando em mares onde o amor se afoga,  
Recordações de um naufrágio em dança,  
Desenterradas por uma memória sôfrega.  

Um menino relutante, a alma presa,  
Com sua caneta furiosa e sem paz,  
Rasgando os ventos com dor e tristeza,  
Visitante egoísta que nunca se faz.  

Alcançando a silhueta espectral da devoção,  
Na escrivaninha do sol que já se apaga;  
Outrora suave como a pomba em oração,  
Agora é pedra amarga que o coração estraga.  

Tristeza e fragilidade entrelaçadas,  
Violinos feridos choram em lamento;   
Enterram os sonhos em noites apagadas   
Para plateias cegas ao mais puro sentimento.  

Nenhum convidado do coração é verdadeiramente fiel;   
O alfa e o ômega dançam no escuro abissal;   
Adeus, mentor... na penumbra um réquiem cruel;   
Uma sombra perdida sob um céu tão banal.

11 de mai. de 2026

Casa de Cera

Você é tão linda quando não está respirando.
Acho que você é um anjo,
Não me chame de monstro.
Eu era transparente, ela era linda
Então não a abra
Apenas coloque uma fina camada de cera sobre ela.
Eu me maravilho com sua perfeição.
Estou apaixonado por ela.
Seu corpo pendurado ali
Está gravado em meu crânio
Isso é para sempre agora.

Minha Verdade Incomparável

Minha verdade incomparável,
Mostra o amor em sua totalidade,
Será que ela desconfia o suficiente de você,
Para compartilhar com você meu para sempre?

Meu coração transborda em páginas,
Que são então incendiadas pela indignidade,
Você fala de significado,
Mas então eu não ouço som algum,

A terra mostra decadência,
Em um mundo de desconfiança que segue a tristeza,
Busco resgate na verdade, mas só encontro mentiras,
Por trás dos olhos de um disfarce,

Para onde todo o meu amor havia ido,
Eles não mostraram misericórdia,
Pois quando a verdade chega,
Ela pertence sem medida.

9 de mai. de 2026

Eu me quebraria ao seu lado

Eu te amarei na quietude,
e no caos da sua tempestade.
Quando seu coração se cansar de lutar,
o meu ainda será um lar.

Eu guardarei as partes que você tenta esconder,
as cicatrizes sobre as quais você nunca fala,
mesmo quando seu mundo estiver desmoronando
e toda luz se apagar.

Mas o amor pode parecer correntes de prata,
suaves ao redor da alma no início,
até que o peso da saudade
se torne uma dor bela.

Ainda assim,
se você cair na escuridão,
eu te seguirei através do azul,
atravessarei cada universo despedaçado
só para estar ao seu lado.

Porque mesmo quando o amor dói,
mesmo quando os corações se despedaçam,
eu prefiro me quebrar ao seu lado
do que me curar sem o seu amor.

Fraqueza

Como você poderia me amar,
Se eu preciso que você me ame?
Como eu poderia me amar
Quando sou frágil em minha necessidade?

Como você poderia me abraçar,
Se estou desesperada por um abraço?
Como eu poderia me conhecer
Quando minha necessidade parece um inferno?

Meus acessos de raiva; minhas tempestades

Você percebe
Meus acessos de raiva?
Veneno que eu infecto com
Minhas palavras.

E este é
O processo de pensamento que tenho mantido
Desde o início do
Nosso primeiro encontro.

Eu vou te expulsar.
Por uma rodovia, já que
Este é
O caminho mais fácil.

8 de mai. de 2026

O Inferno me Escolheu

Armas de guerra em minhas mãos, uma fornalha em brasa,
Purificar esta terra infiel, a missão que me abraça.
Sou os olhos que esquadrinham, o engenheiro a abrir os portões,
A derrubar o céu, a desmantelar paraísos, a romper as canções.

Em seus olhos mortos, vejo meu reflexo, a verdade em questão,
Entre a fé e a mentira, teço a minha ilusão.
Minhas palavras, serpentes, rastejam, tecem teias em sua mente,
Escrituras de escuridão, anjos banidos, um destino iminente.

Chuva de cinzas, pesadelos infantis, a esperança se esvai,
Olhos vazios refletem o nada, um silêncio que atrai.
Ouça a tragédia doce, beba a blasfêmia que emana de mim,
A esperança esmagada, o arrebatamento profano, um fim sem fim.

Este inferno me escolheu, não foi minha decisão,
Um clamor ao Senhor, um grito de desolação.
Deus amaldiçoe o mundo, amaldiçoe esta vida que me consome,
No eco da guerra, me torno aquilo que anseia pelo esquecimento, sem nome.

Vômito

No crepúsculo, sem um suspiro, nos perdemos na dança,
Ao gemido amargo do homem, blasfemo, guloso.
A barriga anseia por pausa, recusa e devora,
Enquanto o vazio implora a libertação, sem demora.

O odor repulsa, as entranhas em agonia se contorcem,
Um hino eterno de náusea, a dor que consome e cresce.
A casca do homem, frágil, definha, em dilema se esmaga,
Consumir ou ser consumido, eis a eterna saga.

Salve os que se banham em excrementos, os canibais insanos,
Anseiam pela carne, impelidos a devorar o profano.
Não há limite para nossos cânticos, ecoam em dissonância,
No frio do descarte, relutantes em provar a substância.

O mofo floresce, a fome insaciável os devora,
Consuma. O odor insuportável, as entranhas em vórtice.
Um hino eterno de ânsias, a dor que em chamas arde.
Agradeça à podridão em meu interior, o vaso que explode.

Em septicidade, sangramos, nossa prole, praga maldita,
Um apetite perverso, eviscera-se para esquecer a vida.
Ser consumido novamente, eviscerar para o gosto banir,
Reconsumir o desperdício, num ciclo que não tem fim.

Dançando como a Chuva

Em brasa, um anseio me incendeia,
Torna-te meu refúgio, minha calmaria.
Teu vulto, um farol, não me desvia,
Eras meu universo, a luz do meu dia.

Se o passado é cinza, o futuro, um sonho a tecer,
E o agora, eternidade em nossas mãos,
Acende em mim o fogo do querer,
Devora-me em teus doces arcanos.

Dançamos qual chamas, na noite a bailar,
Em sintonia com o vento, antes de nos dissipar.
Tão longe, mas à vista, teu ser a me guiar,
Conheces meu peito, e voltas a tocar.

Sombras cintilantes, além da labareda,
Hipnotizado, teu olhar me seduz.
O fogo em teus olhos, uma doce enreda,
Surpresa me tomas, e foges na luz.

Puxa-me à pira, em chamas me envolve,
Cativa-me, eidolon, gravidade a me atrair.
Magnético, em êxtase, meu ser te devolve.
No fogo do teu ser, me deixo consumir.

Sombras a dançar, além da chama a arder,
Encantada, hipnotizada, tua presença me chama.
Leva o que resta, antes de desaparecer,
Uma ruga no tempo, onde teu rastro se inflama.

Onde vais quando fecho os olhos, meu amor?
O que vês em mim, o que te atrai?
Sou espectro, como tu, num eterno labor,
Entre melodias, minha alma se esvai.

7 de mai. de 2026

Um Monstro Dentro de Mim

Por todo o amor duvidoso que você recebeu de mim
Você finalmente entendeu, eu só estou te manipulando
Meu feitiço funciona de forma perversa
Você me viu como um anjo do céu
Mas eu estou devorando sua alma e tentando te destruir lentamente
Em nome do amor, eu quero arrancar seu coração desesperadamente
Porque existe um monstro maligno dentro de mim

Por todos esses anos que você desperdiçou
Após lutas intermináveis
Seu corpo está exausto
Seu coração está doendo
Você finalmente abriu os olhos
Não há nada de bom em ficar comigo
Porque eu sempre serei um monstro, afinal

Minha mente está ficando mais sombria
Este monstro rastejando em minha pele
Eu rezo a Deus para te salvar e a oração de um pecador é atendida quando você foge de mim
Eu não consigo me livrar deste monstro dentro de mim
Todos esses pensamentos perversos são loucura
Você está mais seguro sem a minha existência
Um monstro como eu não merece ser amado por alguém de coração puro como você...

Adeus Suave

Há uma força silenciosa
Em partir sem amargura,
Em escolher a paz
Em vez de incendiar cada despedida.

Nem todo fim precisa se tornar uma guerra,
Nem toda ferida precisa gritar
Só para provar que um dia existiu.

Então parei de perseguir
O que já estava indo embora.

Parei de me diminuir
Para caber em lugares que nunca me pareceram um lar.

Algumas partidas doem profundamente,
Mas permanecer onde o amor é incerto
Dói muito mais.

E ainda existem pessoas
Cuja ausência persiste como uma sombra —
Não porque exigiam atenção,
Mas porque sua presença
Carregava algo raro,
Algo que não pode ser substituído
Uma vez que se vai.

Mas não imploro mais
Para ser escolhida, compreendida ou mantida.

Sigo em frente silenciosamente agora,
Sem precisar de vingança
Por aqueles que escolheram a distância.

O silêncio me ensinou
Que a dignidade também pode ser uma forma de cura.

Porque o que foi real
Não precisa ser estridente para importar.
As verdadeiras conexões não desaparecem
Simplesmente porque terminaram.

Elas permanecem suavemente na alma
Sem pedir para serem revividas,
Apenas lembradas
Pela profundidade que um dia carregaram.

Lobos Cativos

Uma unidade de opostos
Desmantela prisões sem fé
Onde identidades apodreceram por tanto tempo,
Elas evoluíram
Em mil espécies,
Cada uma proclamando sua transcendência
Das demais que rastejam pelo mesmo chão duro
Onde a decência se dissolveu.

E em minha própria ascensão,
Eu não sou ninguém - estou escapando
Do prédio em chamas que está desmoronando gora. Eu sou a semente
E outras sementes crescerão de mim
E, embora possamos estar emaranhados,
Ainda brotamos do mesmo solo fértil.

Os lobos cativos estão libertados.

6 de mai. de 2026

Não há tom mais nobre que o escarlate

Como as rosas que cresciam sob
o vidro da janela da avó
Beijadas pelo orvalho e nutridas pela chuva
Amadas e perdidas na luz do verão
E nas intermináveis noites de verão
De ventos abafados e mãos carinhosas
Machucando pétalas e arrancando caules
Mas logo
Renovadas na primavera.

A Ciência da Consciência

A consciência é relativa:
Para nós, a natureza é o que os escritores são para os livros.
Um livro não se escreve sozinho.
Enquanto o homem trata a natureza como uma droga psicoativa.

Se e quando ele se comunica através da oração,
em vez de apenas usar a vontade como um reconhecimento de sua limitação,
e se render à vontade de um poder superior.
E de que teste alguns seres vivos, por natureza,
devem ter passado para serem chamados de divinos, se um computador
passa no teste de Turing?

Fim do Jogo

Não me interesso mais por jogos
Eles só são divertidos no papelão
Pegue uma pista
E peça desculpas pelas coisas que você fez
Porque isso causou mais problemas
Do que qualquer jogo de Banco Imobiliário que eu já joguei.

Escrevi este poema sobre isso

Acordei respirando
e escrevi este poema sobre isso.

Notei algumas coisas
e escrevi este poema sobre isso.

Vi o macro no micro
e o micro no macro.

E escrevi este poema
sobre pessoas ruins.

E pessoas boas, e pessoas burras
e pessoas inteligentes.

E a estranha maneira como a conformidade
É a religião silenciosa e eterna

Bem debaixo da pele.

4 de mai. de 2026

Falsas Promessas

Construímos nossos sonhos sobre palavras frágeis,
Promessas suaves como areia.
Eu as guardei com carinho, acreditando que durariam,
Como castelos cuidadosamente planejados.

Mas o tempo varreu tudo,
E despedaçou nosso mundo.
Agora, votos quebrados jazem na praia,
Como fragmentos do meu coração.

Sob o Mesmo Céu

Por mais distantes que estejamos,
Silenciosos, mas intensos, teu coração ainda me fala.

Em cada alegria, em cada quietude repentina,
Teu pulso vibra na quietude.

O laço prateado que nos une —
Tão longe, e ainda tão perto, esticado, mas jamais se rompendo.

Mesmo através de tempestades que escurecem o horizonte, mesmo através de sombras que testam nossa luz,

Por mais distantes que estejamos, permanecemos sob o mesmo céu.

Por mais distantes que estejamos, trilhamos o mesmo caminho.

Por mais distantes que estejamos, carregamos o mesmo coração.

2 de mai. de 2026

Corrida Celestial

Será a corrida acima uma perseguição invisível?
Serão os passos divinos ou meramente rotineiros?
Maravilhas cintilam, a verdade vela sua faísca,
O certo e o errado deixam sua marca.

Perguntas florescem onde as respostas vacilam,
Corações inflexíveis, nenhum caminho a ser alterado.
Reflito, relembro, sempre buscando,
Pensamentos infinitos, minha mente fala.

Embriagado

Sinto seu gosto na minha língua,
Afogando-me no peso do seu amor,
A bebida pressionada contra meus lábios,
Uma queimação lenta em minha veia,
Eu me desfaço.

Um Porto Tranquilo

O mundo enlouqueceu, meu amigo, esse é o tema,
Cada cabeça é um teorema contínuo,
Todos correm em círculos, olhos esbugalhados,
E no horizonte — uma tempestade eterna,
As notícias gritam, como se estivessem em febre,
E todos ao redor não estão bem da cabeça.

No oceano do absurdo, onde os sonhos se afogam,
Há uma pequena ilha onde você e eu estamos,
Uma ilha de sanidade, um porto tranquilo,
Onde a voz da razão ainda não se calou.

Lá, ao mar, os demônios giram o carrossel,
A verdade já encalhou há muito tempo,
E em nossa cozinha, há chá e silêncio,
E essa profundidade não é tão assustadora,
Não acreditamos em máscaras, não acreditamos em mentiras,
Estamos apenas aprendendo a viver lentamente.

Deixe as tempestades rugirem e girarem, deixe tudo ir para o inferno,
Sabe, estou muito feliz com a minha liberdade,
Se ao menos eu pudesse manter meu coração, não enlouquecer,
Em um mundo onde só há uma leve comoção.

Ponto Zero

Na minha alma existe uma estação de trem abandonada,
Onde todos os trens partiam no horário,
Já disse tudo o que podia,
E encontrei o silêncio sob a minha pele.

As paredes são silenciosas, o teto pequeno demais,
Eu me atormentei neste quarto com a minha voz,
Os ponteiros do relógio diminuem a velocidade,
Só cai chuva pesada no meu coração.

Um passo para a escuridão onde as fronteiras são invisíveis,
Centenas de páginas vazias e silenciosas,
Não busco uma resposta neste mundo,
Onde parece que não existo mais.

Isso não é dor, é simplesmente o nada
Como um buraco no bolso, no casaco
Como uma tela onde o ruído branco está congelado,
Uma saída do coração e uma saída dos pensamentos.

Sem som, sem respiração, sem sombras desnecessárias,
A vida neste deserto se torna mais cruel,
Mas se você o preencher lentamente,
Talvez a alma volte a respirar.

Mas neste ponto, onde não há nada,
Você pode se criar,
A partir do som puro, do zero simples,
Para que a terra desperte sob seus pés.

Um passo para a escuridão onde as fronteiras são invisíveis,
Centenas de páginas vazias e páginas silenciosas,
Não procuro uma resposta neste mundo,
Onde parece que já não existo...

Quando Balões São Soltos

É normal questionar.
É normal se maravilhar.
Um único balão subindo.
Vários balões em voo.
O vento acariciando as caudas.
Céus repletos de corações e almas.
Parece que não pertencemos mais a este mundo.
Tudo se resume ao que se acredita.
Não à ilusão, mas à verdade.
Não me apego a rituais ou superstições.
Mas fico curioso quando balões são soltos.

As Gemas Perdidas

Bem-vindos! À terra das gemas perdidas,
Onde outrora cresciam seus fortes caules.

Julgadas, ignoradas e incompreendidas por todos,
Independentemente da dor e do sofrimento.

Elas iluminaram o caminho, revelando suas verdadeiras cores,
Mas essas luzes estavam encobertas por véus escuros.

Em vez de glorificar sua verdadeira essência,
Elas foram envoltas em um guia fabricado.

Para as gemas, viver se torna difícil,
Pois o poder lança uma carta cínica.

Até seu último suspiro, as gemas brilharam,
Sem perder a identidade que lhes era própria.

Essa é a razão pela qual a humanidade existe,
Mantendo a pressão para que as gemas renasçam.

1 de mai. de 2026

Miragens

Aquele que os marca com dor
Será cada um deles
Suas cabeças submersas no desconhecido
Envoltas nas transparências da ficção de contos de fadas.

Aquele que carrega o clima em seu rosto
Produzirá evidências tão criminosamente carregadas que beiram a loucura
Que suas mãos enfaixadas acalmem as feridas que carregam.

O florescimento de pensamentos sombrios nem sempre é uma falha do pecado
O olho de uma agulha possui habilidades paranormais
Cuidado com as miragens, examine os sinais ocultos do tolo
Aquele que espalha dor
Emergirá do reino da vida há muito morta.

Corrente

Nunca usei ecstasy

Mas consigo imaginar
Como seria.

Você me beijando.

Nunca quis reivindicar
Algo tanto assim

Meu.

Você é linda
Porque é livre.

Tenho medo de que meu amor
Te acorrente.

Ou talvez
Tenha medo de que ele

Me acorrente.

Soldado

Parece que os pessimistas são chamados de realistas e os otimistas de idealistas. A vida parece se basear em apenas uma dessas ideias, mas tenho uma fé genuína no que é bom, uma esperança inabalável de que tudo se resolva como deveria. Apesar das minhas neuroses, recuso-me a me submeter, porque se alguém permanece em seus dias sombrios, será consumido por eles.

Autópsia de Camus, arquivada em Causa Absurda

Os pulmões colapsaram.
Sem água.
Sem trauma.
Apenas… peso.

O patologista registrou o silêncio
Como sintoma.

Dentro do crânio:
Uma única frase gravada
Nas pregas corticais —
"Não há porquê."

Suas costelas dobraram-se para dentro
Como parênteses.

O coração?

Ainda intacto.

Mas, ao ser aberto,
Continha
Um ingresso de teatro
E uma pedrinha.

Não conseguiram determinar
Se foi suicídio
Ou filosofia.

Continue

Se não era
O que você queria.

Então por que
Você continuou
?

Tudo poderia ter
Acabado.

Sem tanta
Dor
Se você tivesse escolhido
Terminar as coisas

Do jeito certo.

Cidadão X

No azul do céu, um vazio se desenha,  
Mistérios dançam na borda da razão,  
Cidadão X em sua jornada estranha,  
Onde o riso é lágrima e a dor, canção.  

A vida é tiro certeiro na incerteza,  
Um enigma que nunca se revela claro,  
Como algodão-doce que ao toque se despesa,  
Brilhante e frágil no horizonte raro.  

Oh! Senhoras decepções que vêm e vão,  
Falam bobagens com a voz da existência;  
E entre holofotes busca-se a paixão—  
Um renascimento sem fim em sua essência.  

Eu uivo para o deserto à espera do eco,  
Do mistério ardente dos cuspidores de fogo;  
Não há mais surpresa neste mundo seco—   
Só um eterno retorno ao que foi e logo.  

O azul do céu ignora suas cores vivas,  
Esquece as sombras que o tempo destila;  
Mas aqui estou eu — alma pensativa —  
Vivendo entre risos e uma vida tranquila.

18 de abr. de 2026

Dentro da Mente

Dentro da mente está o pensamento,  
Vagueando em carne que apodrece,  
Na sombra do ser, amorosamente,  
Vivo, esperançoso, em um eterno contraste.  

O que é essa essência corrupta,  
Que sussurra dores à saúde frágil?  
Afaste-se, olhe para o além do espelho,  
Cada vida, uma página no livro da morte.  

Aqui ou ali, mas sem um lar,  
Vindo ou indo, apenas a se apagar,  
A vida, um teste que prenuncia  
O sonho, ao ecoar, da eternidade.  

Abençoados e amaldiçoados,  
Ouçam o grito do que se esvai,  
Caminhando para o céu ou inferno,  
Onde todos os pensamentos se desfazem.  

Sussurros perversos na descida,  
Somente o pensamento capta a dor,  
E em um instante, na gaiola se torna,  
Contando seus anos, à porta da morte.  

Eu sou a Loucura, aqui existindo,  
Dentro dos labirintos do pensar,  
Eu sou a criatura esquecida,  
No limiar de meu próprio despertar.  

17 de abr. de 2026

A Percepção

A percepção de paz é um pensamento distante,
As situações se tornaram difíceis de alcançar.
Um sorriso que acabará com
Toda escuridão e tristeza.

É uma ilusão
Que a vida realmente possa florescer.
Hoje não busco respostas da vida,
Porque já vi o suficiente para lutar!

16 de abr. de 2026

Abandono ou crescimento?

Quando sinto que simplesmente não é mais para mim…
Quando sinto que meu corpo não aguenta mais…
Quando sinto que não deveria mais estar fazendo isso…
Quando se torna um pensamento obsessivo…
Quando se torna apenas uma lembrança…
Quando se torna um fardo pesado demais para minha alma continuar carregando…

01000100 01100101 01101101 11110100 01101110 01101001 01101111 01110011 00100000 01110011 01100101 00100000 01110110 11100011 01101111

Demônios se vão,  
Das sombras do interior,  
Busca-se alívio.  
Passos tímidos avante,  
Novo dia surgirá.  

14 de abr. de 2026

A Peça do Diabo

Por que essa sensação me parece tão estranhamente familiar?
Quando fecho os olhos, o episódio começa,
Você se coloca como a atriz principal
Nos cantos mais escuros do meu coração.

Rezei por libertação desse apego.
Essas experiências parecem antinaturais, invasivas,
Como uma presença que nunca pediu permissão.
Já paguei o preço em silêncio.

Já suportei o suficiente.
Confessei minhas falhas e pedi misericórdia.
Eu me libertei. 
Então, por que você não?

A Cigana na Caverna

O véu da sombra, numa caverna fria,  
Espero o sol que aquece, a luz que me guia.  
Quero o calor do teu rosto, o fogo do teu olhar,  
Teu beijo que incendeia, um lar a me abrigar.  

Dá-me tudo, alma inteira, sem nada ocultar,  
Teu amor é minha bússola, meu norte a encontrar.  
Te amo em silêncio, com verdade que não minto,  
E quando perderes o rumo, serei teu labirinto.  

Guiarei teus passos, nas curvas da emoção,  
Um farol na escuridão, pulsar do coração.  
Vem, amante, traça o caminho, não temas errar,  
Somos do mesmo destino, nascidos pra se amar.  

Na penumbra, tanto tempo, meu mundo se formou,  
Teu brilho agora me cega, meu peito se formou.  
Tão belo, tão vivo, com teu violão a cantar,  
Despejas amor em notas, que não sei alcançar.  

Vejo-te com ela, teu coração a se doar,  
E invejo, em segredo, o que não posso tocar.  
Cigana na caverna, só sonhos a abraçar,  
Espero, desejo, anseio, teu amor conquistar. 

O Momento da Ruptura

Tenho muita coisa acontecendo,
Não consigo evitar desabar,
Há um limite para o que,
Uma pessoa forte pode suportar.

Tanta coisa acontece,
Em tão pouco tempo,
Um coração ferido,
Pode mexer com a sua mente.

Embora eu consiga ver,
Há um lado mais brilhante,
Todos esses fantasmas,
Sai de onde se escondem.

Então estou desabando,
Tirando o dia para me curar,
Não posso escapar,
De todos esses sentimentos que sinto.

Então eu sento e reflito,
Sobre a minha vida como um todo,
O que eu faço a respeito,
Qual caminho devo seguir.

Eu vou descobrir,
Em algum momento,
As coisas podem melhorar,
Mais adiante.

13 de abr. de 2026

Duas Solidões 2

Em um mistério moderno nos escondemos,  
Longe de calendários, tempos esquecidos,  
Um olhar ressoa, longo e tenso,  
Tarde demais para mudar os sentidos.

Duas escuridões em busca do passado,  
Como a maré que sempre vem e vai,  
Línguas que esqueceram o alfabeto amado,  
Um eco distante, um sussurro que cai.

Nessa era que tudo mede pela pressa,  
Nós somos o atraso, a pausa, a dor.  
Um mundo que queima em busca da resposta,  
Mas somos a pergunta, o temor do amor.

Poderíamos ser luz, calor, conexão,  
Mas nos tornamos rastros na água a fluir,  
Como um ponto final, sem conclusão,  
Um eco que insiste em não existir.

Assim é o amor em tempos de agora,  
Reconhecimento da impossibilidade,  
Não o calor, mas a sombra que implora,  
Eternamente presos na saudade.

Reinado da Rivalidade

Você reina apenas para ser meu rival,
Eu me sento no meu trono de sobrevivência,
Você domina através do engano,
Eu abro caminho através da percepção em camadas.

Você reivindica sua regência através de acusações injustas,
Eu uso minha coroa, por favor, eu não entro no seu jogo,
Você só é poderoso no seu mundo de ilusões, de se vestir e fingir,
Eu reino porque sou verdadeiro e leal até o fim.

Você usa minhas asas, valor roubado sobre sua cabeça
Eu simplesmente voo de qualquer maneira, descansando no meu palácio, não demorará muito para que todos estejamos mortos,
Você vive para rivalizar comigo, seguindo suas regras, é pura inveja
Eu sou talentoso e saúdo a heresia.

INVISÍVEL PARA OS OUTROS!

Tenho 30 anos.
Moro numa casa de 3 quartos.
Sou solteiro.
É assim que gosto.
Às vezes me sinto sozinho.

Mas gosto do meu espaço e do meu ritmo.
Falo sozinho.
Muitas vezes grito.

Existem esses personagens.
Frutos da minha imaginação.
Alguns os chamariam de alucinações.
Eles são desagradáveis comigo.
Tóxicos, distorcidos e cruéis.

Eu os chamo de fantasmas. Bicho-papões.
Há também os amigáveis.
Histórias se desenrolam.
De todos os tipos, horrores e abusos.
Grotescos e perversos.

Gritos - risadas insanas.
Pessoas sendo torturadas.
Todo tipo de ruído bizarro.
É uma sensação sinistra.
Intenções malévolas.
Difícil de lidar.

Duvido que você perceba só de olhar para mim.
Tudo isso é invisível para os outros.

12 de abr. de 2026

Duas Solidões 1

No eco mudo das horas suspensas,
Numa dança lenta que o tempo não fere,
Duas solidões tecem suas franquesas.

Sombras que se cruzam, almas imensas,
Colidindo em silêncio onde o amor se fere,
No eco mudo das horas suspensas.

Em labirintos que cercam nossas crenças,
Construindo verdades que o olhar prefere,
Duas solidões tecem suas franquesas.

O passado nos chama com vozes intensas,
Mas o futuro é um espelho que não se refere,
No eco mudo das horas suspensas.

Em cada gesto, um peso que se pensa,
E as memórias se transformam em um jarro que fere;
Duas solidões tecem suas franquesas.

E assim seguimos, em busca das essências,
Duas escuridões que a esperança intercede,
No eco mudo das horas suspensas,
Duas solidões tecem suas franquesas.

Paradoxo

Onde uma vez cantamos para o sol e para o céu,
Agora murmuramos para as telas, sob luzes fluorescentes.
Nas linhas de batalha de silêncio e som,
Nós, reis e rainhas dos call centers, usamos nossa coroa.

O vento do deserto uiva, faz meus ossos tremerem,
Em São Paulo me proclamam, uma formiga rebelde.
Mas eu estendo a mão para outro estado, sob o sol escaldante,
E meus dedos frios e crepitantes acenam, desafiadores.

Cegos, minha namorada e eu, na espessa névoa do amanhã,
Esperando que o vento leve embora o cheiro do desespero.
Nesta civilização de angústia e agonia,
As mariposas devoram nossas bênçãos financeiras.

Mas ainda assim, na dor, vemos florescer o futuro,
Na luz divina que ilumina o túmulo vazio.
A esperança humana é frágil como um triângulo,
Pendurada em suspense, entre o agora e o eterno.

E ainda assim, em termos mínimos, o call center paga o aluguel,
E no final do dia, é isso que realmente importa.
Para nós, reis e rainhas dos teclados e das linhas telefônicas,
Nós resistimos, sobrevivemos, e vivemos para lutar mais um dia.

Prisma do Solo

Aconchegado abaixo, seu corpo se torna fios soltos
Só a terra entende esse tipo de desvendamento
A vida não desaparece, ela se transforma, ela explode.

Palmas abertas para a terra, sua silenciosa rendição
Sob o solo, um caleidoscópio começa a florescer
Vermelhos, dourados, verdes e azuis tingem as raízes de um amor invisível.

O osso passa de tons acinzentados para brilhos iridescentes
Com o tempo, a cor se infiltra em cada grão
Agulhas de grama irrompem, esmeralda e elétricas
A morte, apenas mais um nascimento vestido de arco-íris

11 de abr. de 2026

Partículas Fantasma

A radiação dourada flui
Seu calor dourado em nossa pele
E uma cascata de neutrinos transformados
Nos atravessa.

As rugas em minhas mãos
Indicam que o tempo passou
No espelho, olhamos
Questionamos e perguntamos…

Sou o mesmo
Que era
Depois de tudo que passou?
Atravesso a galáxia
Da minha vida.

Não me comovi?
Não me alterei?
Não oscilo
Para algo diferente
Do que era antes…

Giramos com a Terra
Sob estrelas cintilantes e subimos ao redor do Sol
Em um ritmo de estações para estabilizar nossa jornada
De mudanças infinitas…

Solis

A Rosa Polar desabrochará por dentro,
Elevando o espírito acima dos elementos.
E suas raízes crescerão na natureza,
Envolvendo suavemente a essência da alma.

Espinhos sagrados perfurarão o coração...
Olhos que agora estão cegos se abrirão.
A verdadeira luz tocará as pupilas,
Mantida em segredo por milhares de anos.

Suavemente, como os movimentos de uma serpente,
Uma flor maravilhosa crescerá em direção ao céu.
O frio da sabedoria abrirá o botão,
Onde o trono solar resplandece.

10 de abr. de 2026

Materialização

Você não desempenhou seu papel na provação,
Embora o papel não seja mais seu para desempenhar...
O consolo que busco não veio de você e não deseja mais vir,
Não posso afirmar estar em paz
Mas não consigo imaginar encontrá-la onde você a colocou.
Não parece mais tão errado,
Algo mais
Para você, para mim
Pode não parecer totalmente certo
Mas finalmente parece que poderia ser real.
Não me sinto bem
Mas estou começando a me sentir real novamente.

Sua Culpa

Você já se sentiu como uma opção?
E esse sentimento te fez agir com cautela,
Aquele que você ama faria qualquer coisa por outra pessoa,
E isso realmente te incomoda.

Você se preocupa com seu estado mental,
Enquanto tenta se livrar do ódio ardente,
Eles não enxergam o dano que causaram
E a próxima coisa que você ouvirá é: você mudou muito,
Eu não mudei — suas ações me destruíram
No processo de cura, me tornei uma nova versão para todos verem.

Então, quando me virem no ano que vem, não julguem minhas ações,
Em vez disso, julguem suas decisões de me fazer uma opção
Porque eu acabei de mostrar o quanto posso usar meu livre arbítrio.

A Escuridão Infinita

Um véu sem fim, onde a luz não se atreve,
Abismo eterno, o tempo se dissolve.
Silêncio denso que a alma não descreve,
Na escuridão infinita, o nada envolve.

9 de abr. de 2026

Sussurros para o Indescritível

Através das estrelas, sua sombra treme suavemente,
Uma melodia sem nome ressoa atrás das minhas costelas.
Você desperta, uma chama, em horas distantes e sem nome?
O horizonte anseia pelo toque do seu olhar.

Cada momento se curva, um hino silencioso de espera,
Mundos entre nós respirando um anseio invisível.
Ainda assim, sua essência inunda meu céu invisível.
Algum dia, amor desconhecido, você carregará meu nome.

Uma Alma

Se eu algum dia te tocasse, você seria minha de novo —
Uma alma que conheci antes de conhecer os homens.

Nos sincronizaríamos como rios,
Como se isso não fosse novidade, mas uma
tendência recorrente.

Talvez um dia você tenha sido meu lar —
Um amor que atravessou vidas inteiras, da pele aos ossos.

Nenhuma tempestade ou tristeza poderia derrubar
a atração que sentimos agora, a forte correnteza.

7 de abr. de 2026

Sombras de Quem Você Finge Ser

Você usava uma máscara que brilhava intensamente.
Sua verdade se dissolveu na noite sem fim.
Eu amei o sonho, a moldura cuidadosamente construída,
Enquanto você se tornava surdo ao verdadeiro nome do amor.

Você rouba, distorce, esconde, mente.
Mesmo assim, seu fantasma não diz adeus.
Meu mundo é real, embora oco por dentro.
Ele dói, mas se apega à ideia de você.

A Rainha

Querida, o mundo é cruel.
Ele te olha como se você fosse uma comida, deliciosa.

No mundo, é difícil confiar,
porque quem sabe se eles não estão cheios de luxúria?

Neste mundo, seja a rainha,
Que não precisa de castelo nem de rei.

Erga sua coroa o suficiente para que ela brilhe na luz,
Brilhe forte na noite.

Empunhe sua espada apenas para sobreviver,
Pois nenhum cavaleiro de armadura de prata virá.

Não finja ser fogo, mas seja como a água, que é Necessária para viver, mas pode matar.

A feminilidade de uma mulher é como a faísca de um isqueiro.
Se for levada ao limite, pode se apagar.

Se te chamarem de prostituta,
Reúna sua coragem e mostre a eles como você ruge.

Lembre-se, o melhor dançarino é Shiva, mas Shakti é Considerada a guerreira temida.

O respeito é seu,
Não deixe que o derrubem no chão.

As Palavras - Não se Esqueça

As palavras se desvanecem, o silêncio permanece,
E eco do que um dia foi, o peso do tempo.

A distância se abre, como um abismo,
Entre o que fomos e o que não seremos mais.

Memórias que doem, momentos que escapam,
Lágrimas que caem, sem saber para onde vão.

O amor se despede, com um adeus sem fim,
deixando apenas sombras, onde antes havia luz e calor no jardim.

Não se esqueça de que o fim de algo,
É o começo de outra coisa.

Que a dor passe, que a ferida cicatrize,
e que você encontre, ao longo do caminho, um novo amanhecer, uma nova esperança que te preencha.

Não Coma Lagartas

As lagartas que comi se transformaram
No momento em que te vi
Borboletas no estômago
Cinzas na garganta
Tempestade na cabeça
Tremendo nervoso
Qual o sentido de me sentir assim?
Quando você sabe que não pode fazer nada a respeito?
Este corpo não passa de um receptáculo traiçoeiro
Que se tornou demais para suportar
Então eu pergunto a Deus uma pergunta importante
"Cara, pra que isso?"

6 de abr. de 2026

Cinco Pontas

As estrelas no meu cereal
Têm cinco pontas
E as estrelas que vejo nos meus livros também.

Mamãe disse que eu serei
Uma estrela um dia.

Mas eu não tenho pontas em mim,
Nem brilho na noite.

O Céu Não Se Importa Conosco

Quatro anjos do Céu choraram
No dia em que ela morreu.

Não porque ela tivesse morrido
Mas porque estavam cansados.

Pintando Música no Papel

Três perspectivas — Três ângulos que refletem
Em cada um deles, você é divinamente perfeita.
Cabelos de outono em chamas, fileiras de velas que Iluminam seus olhos cor de grama como pequenas bolinhas de gude.

Mãos melódicas de primavera em sintonia com o clima.
Sorriso sussurrado, pele macia para abençoar qualquer ouvinte.

De dentro, flores pitorescas crescem e crescem,
Banhadas de palavras e abraços em um fluxo paciente.

Eu te vejo escalando as árvores,
puxando as folhas,
acariciando as nuvens,

Então eu te pinto em três:
Em retratos, em canções, em livros.
Com cores, com notas, com poemas.

Verdades Ventosas

Eu gostaria que tivesse sido 1º de abril
Em vez de um dia qualquer de maio,
Quando você perdeu de vista minha confiança
Deixando-a ser levada pelo vento.

Eu gostaria que tivesse sido apenas uma mentira
Que escapou da sua língua embriagada,
Mas — eu podia sentir nosso amor desmoronando
Enquanto o vento me contava o que você tinha feito.

O Inimigo Inevitável

Ele vem para todos nós
A cada segundo que passa
Ele se aproxima
Não importa para onde corramos
Não importa onde nos escondamos
Não importa o quão fortes sejamos
Não importa nossa força de vontade
Ele não pode ser evitado
Ele não pode ser vencido
O relógio vai bater
E o inimigo nos alcançará
Ele sempre vence
É uma perda inevitável
O inimigo é a morte.

Eremitério

Quero ser um eremita,
Para ver e falar com as árvores,
Quero ser um eremita,
O banquete entre as folhas.

Quero ser um eremita,
Ouvindo os uivos,
Quero ser um eremita,
Escondendo-me de seus olhares carrancudos.

Quero ser um eremita,
Coberto de lã e coisas do tipo,
Quero ser um eremita,
Coberto de toda a lama.

Quero ser um eremita,
Desejando deleite,
Quero ser um eremita,
Lamentando a luz do sol.

Quero ser um eremita,
Sozinho e deprimido,
Quero ser um eremita,
Chorando em angústia.

Quero ser um eremita,
Uma espiral nunca vista,
Quero ser um eremita,
Uma voz que não pode gritar.

Quero ser um eremita,
Bem aqui no meu covil,
Quero ser um eremita,
Uma vida que parece uma armadilha.

Quero ser um eremita,
Desejo um amigo,
Quero ser um Eremita,
Essa saudade nunca vai acabar.

Sempre fui um eremita,
Trancado no meu quarto,
Sempre fui um eremita,
Eu mesmo forjei minha ruína.

28 de mar. de 2026

Fantasmas em Pedaços

Um dia em que eu poderia me contorcer e simplesmente comer moscas,
Acontece nos caminhos,
Que escolhi percorrer há muito tempo
Antes da decadência.

Porque elas estão tagarelando de novo -
Um discurso interminável, uma tagarelice incessante
E acho que já chega,
Já chega de todas elas.

Os homenzinhos com talheres,
Com brinquedos e corpos torturados,
E seus seguidores com mariposas no lugar do cérebro,
Que esvoaçam em crânios mortos.

As luzes de festa em terras enterradas,
Profanando o conhecimento ancestral,
Pois tudo gira em torno do que o papai tem,
E do que você também quer.

Os exibicionistas com seios de plástico,
Suas mãos pontiagudas cerradas com força,
E suas línguas reveladoras em cada cocho,
E tronco do qual se alimentam.

As rãs marchando com presas retorcidas,
Sua lealdade às ordens,
Latindo para reis tagarelas em currais
Ou fantasmas em pedaços.

O baque alto e mentiroso de cabeça de carcaça
De quase-humanos
Que, enfurecidos pelo verme magro do acaso,
Destrói três mil anos.

Os dispositivos assombrados em nossas mãos,
Possuindo tudo em movimento,
Enquanto o gênio gritante em todos nós
Primeiro se desvanece, depois desaparece.

A tempestade de tagarelice envolve um mundo
Desprovido de suas criações
E o lento inchaço de nossos tempos vazios
Devora mais - está prestes a explodir -

E monstros em seus palácios -
Satisfeitos, sem direção -
Discutem sem parar e murmuram quem é o melhor,
Empanturrados com o seu pior.

18 de mar. de 2026

Choveu no dia em que você morreu

Choveu no dia em que você morreu.
Uma chuva suave e constante, como se o céu tentasse devolver algo depois de ter te levado.
O mundo parecia mais silencioso sob aquela chuva,
como se soubesse que algo sagrado havia sido perdido.

E por um instante, parado ali sob ela,
Me perguntei se as nuvens também estavam de luto.
Porque como algo tão belo poderia cair do céu,
No mesmo dia em que a pessoa que mais significava para mim
Se foi?

17 de mar. de 2026

Dois pássaros; um lar

Nós pousamos em galhos quebrados
Sem nos sobrecarregar
Com o esforço que seria necessário
Para pensar em cair.

Porque com você por perto
Eu não quero estar lá
Eu quero estar sorrindo
E meus sorrisos residem bem aqui.
Você e eu, corações e asas,
Voando de árvore em árvore.

15 de mar. de 2026

Alguém

Anseio por alguém que não anseia por mim
Meu coração bate por alguém cujo coração não bate por mim. Amo alguém que não me ama. Vale a pena esperar ou estou me agarrando a uma memória distante, a um futuro que não é real? Dizem que quando você encontra o amor verdadeiro, nunca deve deixá-lo ir, mas vale a pena quando o amor está te machucando? Ou quando a espera se torna longa demais e você não pode fazer nada além de sentar em silêncio e chorar de dor? O amor verdadeiro existe ou é apenas uma palavra que usamos para manipular nossos corações? Alguém me ama como eu o amo? Essa pessoa anseia por mim como eu anseio por ela? Seu coração bate por mim como se o meu batesse por você? Você me espera como se eu esperasse por você? Você pensa em mim enquanto vive na minha mente? A espera dói, assim como as promessas vazias. Tenho que te deixar ir pela minha paz, mas dói saber que se eu for embora, você não se importaria, você não notaria. A espera é longa demais, mas eu espero. A estrada à frente é longa demais, mas eu a percorro sozinho, como se desejasse percorrê-la com você. Alguém que eu amo, mas você me ama?

Chá com Demônios

Despejo o chá em pulmões de porcelana, mexendo o vapor que cheira a velhas desculpas.

Lá fora, sorrio como uma placa martelada — firme, alto, inquebrável para quem passa.

Lá dentro, a cortina nunca para de tremer.

Demônios chegam educados, de casacos de inverno, contando as moedas do meu sono,
Registrando recaídas como recibos que escondo nos bolsos do arrependimento.

Puxam cadeiras sem pedir;
Conhecem minha casa melhor do que eu.

Mantenho a porta entreaberta — não para impedi-los de entrar, mas para que seu povo não veja a podridão.

Deixar alguém entrar seria como entregar-lhes uma lâmina e pedir que não a usem.

Então, pratico ser firme:
risada calculada, mandíbula cerrada, respostas curtas como um poço — uma oração ensaiada.

 A recuperação é uma liturgia lenta e suja — um hematoma de cada vez, uma pequena misericórdia, a lição insuportável de recomeçar.

Algumas manhãs sou uma cidade nova sem ruas.

Outras noites sou um mapa reduzido a cinzas.

A solidão vive entre minhas costelas,
uma inquilina que paga apenas com frio e silêncio.

Tomo chá com demônios porque é mais fácil do que explicar o divórcio da minha alma das minhas mãos.

Trocamos histórias no escuro:
promessas.

Dívidas.

Os nomes que eu costumava me chamar quando acreditava que podia desaparecer.

Não peço piedade;

só peço espaço para me reconstruir sem plateia.

Por enquanto, a chaleira canta,
E os demônios sorriem como velhos amigos que nunca partiram.
Bebemos chá para esquecer,
e bebemos para lembrar,
E quando nossas xícaras estão vazias, eu as lavo e finjo que a próxima xícara estará limpa.

14 de mar. de 2026

Metrônomo Pneumônico

O dia em que o céu escureceu,
pairava todos os anos em uma palidez cinzenta.

Este ano, uma pequena gota se formou na base da minha cavidade esfenoidal, logo atrás da retina.

Um estudo de caso curioso, de fato.
O que o universo se digna a ensinar, em gerenciamento de crises ou paciência, quem sabe?

Durante esta maratona de infortúnios,
as estrelas se alinharam perfeitamente para testar a medida da minha resistência humana.

Há alguns momentos em que o espírito permanece inabalável.

A vontade de se levantar e seguir em frente avança,
e Deus coloca pequenas armadilhas ao longo do dia.

Primeiro erro, você ultrapassou os limites da nossa regulamentação e agora será colocado em uma categoria superior.

É um teste de capacidade de estresse em vários estágios que se torna progressivamente mais difícil à medida que continua. Preparado? Comece!

Para baixo.

Para cima.

Um.

Para baixo.

Para cima. Dois.

Para baixo.

Para cima.

Três.

Para baixo.

Para cima.

Quatro.

Para baixo
Para cima
Cinco

Para baixo
Para cima
Seis

Para baixo
Sete

Para baixo, para cima,
oito.

Para baixo, para cima
Nove

Para baixo
Para cima
Dez

E aí,
ilustrada está a relação mais longa que já tive com Deus.

Em 30 anos, ainda não aprendi a dosar meu ritmo.

Bom pelo que foi – não pelo que poderia ter sido

Você o tornou tão bom enquanto pôde,
e por um tempo, foi tudo o que eu conheci...

Tudo era mais brilhante, mais colorido,
a comida tinha um gosto tão bom todas as vezes...

Você me deu esse presente por tempo suficiente para que eu não me esquecesse de como era.

Você me fez saber o que era ter uma boa infância, e por isso eu sempre quero te agradecer.

Querida Mãe.

13 de mar. de 2026

Eu não sou esse gênio lírico atípico

A maioria dessas outras pessoas tem me dito
Eu não sou esse gênio lírico atípico,
Parece que elas não conseguem mais me reconhecer...
Pessoal, essa pessoa é um adversário muito importante para mim,
Deveriam ter usado algumas dessas outras palavras com um pouco mais de cuidado.
Não se arrependa,
Porque você deve ter pedido por isso de novo, amigo,
Se você vai tentar me esmagar,
É melhor vir preparado para entrar em guerra comigo,
Assim como o Eminem,
Vou tentar eliminar a maioria dos seus outros, amigos, bem rápido de novo, amigo
Você deve ter ficado bem na defensiva
Sempre que você tenta se aproximar de mim
Não estou considerando a maioria dos seus amigos como as ferramentas mais brilhantes do seu arsenal, amigo.

Mea Culpa

Tenho dado desculpas, e isso precisa parar.
Muitos tropeços, muitas quedas.
Pergunto-me o que precisamos, o que eu tenho.
Como posso te centrar melhor, enquanto você se centra em meus pensamentos.
Esforço-me para ser o parceiro que você conheceu.
O amante, o salvador, o apoio em que você se apoia.
Sinto muito, eu já disse, mas agora mostrarei com ações.
Identifiquei a fratura, agora estou aplicando tração.
Peço desculpas, e pedirei, repetidamente.
Demonstrarei, vez após vez, até que a confiança seja clara.
A maior parte do que conheço está sangrando.
Pressionando a ferida, pergunto o que precisamos.

Redigido

Você não decide,
Se minhas palavras são verdadeiras,
Porque elas não,
Soam como você.

Você não decide,
Se o que eu escrevo está errado,
Porque eu não,
Escrevo como você.

Você diz que sabe,
Mas você não sabe.
Você apenas me jogou
Na sua ferramenta,
Deixe seu programa decidir

Se eu sou humano. 
Você provavelmente não entende,
Trauma. (Que sorte a sua.)
Como ele pode tornar,
Emoções obscuras,
E sussurros da verdade.
Vaziam.

Eu entendo, você está tentando proteger.
O que você acha que sabe.
Mas está claro para mim,
Você não está disposto a ver
Como os outros cresceram.

Sombras Herdadas

Essas paredes são de vidro e osso,  
Uma prisão de escolhas que eu mesmo chamei de lar.  

A fechadura enferrujou, a chave ficou fina,  
Preso pelo peso do pecado do meu próprio vício.  

O mundo lá fora é só uma luz distante,  
Enquanto eu fujo dessas sombras noite após noite.  

Estico a mão pras grades, mas elas só se dobram,  
Troco meu calor por um hábito gelado.  

Eu imploro por liberdade dessa cela que carrego dentro de mim, 
E rezo baixinho pra que você perdoe todos os meus erros.  

Tento alcançar um céu que já não consigo enxergar,  
Sou só um fantasma num quarto, querendo tanto ser livre.

8 de mar. de 2026

As Coisas

As coisas boas nem sempre duram,
Fui tolo em pensar que durariam,
Segurando uma luz em mãos trêmulas,
Vendo-a se apagar na noite.

Nosso amor era apenas uma chama,
Extinguindo-se antes da hora,
Pensei que a felicidade fosse para mim,
Mas ela nunca poderia ser minha.

Porque as coisas boas nem sempre duram,
Estou aprendendo isso aos poucos,
Alguns corações são feitos para se partir
E viver suas vidas sozinhos.

Meus pensamentos

Meus pensamentos são barulhentos
Tenho tendência a entrar em espiral quando o caos se aproxima
Como posso confiar em suas palavras
Quando você sempre desaparece
Eu pensei que tínhamos uma conexão
Que era gentil e sincero
Ultimamente me sinto anestesiado 
Meu coração está protegido
Pelos espinhos que você deixou para trás
Um dia acreditei que, se fosse real,
Você retornaria com o tempo
Mas mudei de ideia…

Ah...

Ah, é mesmo. Quase me esqueci.

Obrigada por me lembrar.
Que só sou tolerado quando sou útil.
Só sou amado quando posso ser manipulado para meu próprio benefício.
Só sou valorizado quando já estou saindo pela porta.

Acho que dá para dizer que sempre esperei por isso.

Mais um dia riscado do calendário.
De noites que passei em luto.
Sentado nesta noite de primavera, chorando ao vento, com as árvores balançando e as estrelas me encarando.
Uma decepção familiar, quase acolhedora.

Obrigada por me lembrar.

A Rainha do Gelo

Se máquinas de gelo fizessem rainhas da beleza,
Uma vadia fria e impiedosa como você,
Real ou falsa,
Não se engane,
Não há apenas uma, mas duas
Duas faces nessa cabeça bonita,
E não são do tipo que sorriem,
Espero não te encontrar de novo,
Pelo menos não por um tempo.

A Escuridão Me Encontra Vazio

Minha sombra solitária se dissipa na noite.
A agonia cai como chuva
Inundando meus pulmões,
Ameaçando me consumir a qualquer minuto...
E eu silenciosamente desejo que isso aconteça.

Imploro por descanso.
Mas, em vez disso, minha mente opta pela tortura,
Um castigo apropriado que aceito.

Ao longo das linhas turvas do meu futuro
Sei que você se senta como eu,
E com isso
O silêncio se torna insuportável.

Posso ouvir meu coração se partindo.

7 de mar. de 2026

A Marca do Conhecimento

O amor abre feridas, invisíveis, mas sempre profundas.
Uma dor sombria que se aprofunda, ressoa.
"Se eu soubesse", lamenta o coração,
Mas não há culpa na primeira investida do amor.

Ser amado injustamente é uma chama amarga,
Mas sua queima gera sabedoria.
Nas cicatrizes, a verdade do amor cria raízes,
Pois o conhecimento floresce onde antes havia dor.

A Noite

A noite desce, e com ela a agonia,
Coração pesado, sem luz, sem alegria.
Outra decepção, um fardo a carregar,
Costuro as feridas, o corpo a sangrar.

Arde a dor que chegou, recente, voraz,
Nesta noite que dói, meu corpo jaz,
Um vazio profundo, que clama por paz.
Preciso de carinho, um afago, um cais.

Vagando

A terra dos sonhos me leva a costas desconhecidas,
Juntos vagamos por paisagens surreais,
Rios despencam pelas encostas das montanhas.

Nuvens formam figuras ao flutuarem,
Encontramos um lar um no outro,
Em sonhos, na vida, juntos crescemos.

Em Todo Lugar

As palavras rimam como se pertencessem a ele,
Ela apenas cantarola, e isso se torna uma canção,
As faíscas do ritmo brilham,
Ela sorri e ilumina o caminho,
Os temas se entrelaçam em um poema,
Ela os tece em um raio de sol,
Flui como um riacho, um riacho de preocupação,
Ela simplesmente parece estar lá,
Aqui, ali e em todo lugar...

Trem

A tela, sufocada pela tinta,
Capturando os sonhos de um santo condenado,
Cores distorcendo a chuva que afoga,
Preto e branco descendo pelo ralo,
Yin e Yang em um trem mundano,
Levemente pendurado em uma corrente de barro,
A tela carrega o fardo da dor,
Da melancolia, da culpa, das perdas e dos ganhos,
A arte continua carregando o nome,
Dos pecadores e santos que partiram...

5 de mar. de 2026

Comece Hoje

Manhãs cinzentas piscam com olhos pacientes,
Sonhos esperam onde a coragem muitas vezes reside.
Cada passo uma canção, o impulso para a frente,
De campos antes vazios, agora repletos.

O relógio não para, as marés mudam,
O arrependimento é um peso que nenhum vento pode levantar.
Agora trilhe o caminho, deixe as raízes se expandirem,
O mundo é um mapa sob sua mão.

A Noite em que Meu Espírito Desabou

Deitei-me naquela cama sombria,
Enquanto dúvidas e medos consumiam minha mente.
Devo fugir ou devo ficar?
E quem arcará com o custo neste dia?

Seu peso me pressionava; eu não conseguia fugir,
Uma prece escapou do meu coração.
Quando ela terminou, me deixou frio,
Com moedas na mão, parecia tão ousado.

Mas algo em mim se quebrou e sangrou,
Uma parte de mim morta para sempre.
Nenhuma luz resta, apenas o vazio daquele brinquedo,
Um homem agora, mas ainda sua artimanha.

As cicatrizes internas ainda latejam e queimam,
De cada mulher que teve sua vez.

Um trovão silencioso chamado para sempre

Você é o silêncio entre as estrelas
E a chama que respira dentro da chuva,
Uma suavidade que estremece como a manhã,
Quando o mundo abre os olhos pela primeira vez.

O tempo se dissolve ao seu toque infinito,
E tudo o que existe se torna simples:
Você, meu sempre.

Abrace a Morte

Como disse John Donne, dormir é apenas estar morto enquanto vivo. Então, eu morro todos os dias para te ver em meus sonhos e abraçaria a Morte feliz se isso significasse que eu poderia estar com você para sempre.

Visões

Meu mundo desmorona sem você,
Eu me pergunto em uma mente que guarda os ontens.

Existe alguma maneira nesta realidade,
Você poderia me amar o suficiente para salvar tudo,
Me desejar até a existência,
Amar sem resistência,
Tentando com persistência,
Me desejando em visões.

4 de mar. de 2026

Universo em Bloco

Caminho por um cubo de tempo trovejante,
Cada face gravada com cinzas iluminadas por estrelas.

Toco meu passado; ele é frio.
Sinto o gosto do meu futuro, ferro e sal.

Entre segundos fixos, ouço o silêncio
Rugir como um vasto oceano invisível.

Uma Criatura

Ela era uma criatura de dor,
Vivendo nas sombras da escuridão,
Seu coração não pertencia a ninguém,
Seus olhos se fechavam com força.

Ela é uma criatura de fragilidade,
De culpa e arrependimento,
De cacos de vidro,
De pesadelos de tempos passados.

Ela é uma criatura de amor,
De estradas sem fim,
De cuidado e carinho,
Que nunca veem a luz.

Repetidamente

Aconteceu de novo.
Eles dirão:
Ninguém poderia ter previsto isso.
Mas eles estão errados.
Eles costumam estar.

Você os observa correndo atrás do próprio rabo por horas a fio —
E então eles se atrevem a perguntar em voz alta:
Por que não estamos progredindo?

Eles nunca aprendem a lição certa.
Eles não precisam.
Eles estão protegidos das consequências de sua inação.
Você está cercado por focas batendo palmas e os incentivando.

Eles dizem que é melhor do que nada —
Mas nada nunca acontece.
Às vezes você gostaria de ser como eles.
Gostaria de se contentar com a mesma facilidade que eles.

Gostaria que seus padrões fossem baixos como os deles.
Que você pudesse ser feliz com eles.
Mas você não pode.
E não será.
Isso é para sempre agora.

Meu Coração Está Doendo

Meu coração está doendo,
Sinto uma dor borbulhando no meu peito
e a pressão das lágrimas querendo escapar
Mas elas não conseguem.

Meu coração está doendo, mas não faz nenhum som,
Tudo o que sinto está contido dentro dos limites da minha pele,
sem ousar ser notado, mas implorando para ser visto,
Essa dor é familiar, está por aqui há muito tempo.

Ela cavou um buraco profundo no meu coração;
Criando raízes e encontrando paredes para chamar de lar,
não tem urgência em ir embora,
sabe que não é desejada, mas mesmo assim permanece.

Em vez de escrever em prosa, estou tentando sentir o que sinto,
hoje parece diferente dos outros dias,
Geralmente os dias podem ser sufocantes enquanto sigo os movimentos para começar um novo ciclo,
Mas as distrações não têm sido tão perturbadoras
e a dor não diminuiu.

Pelo menos eu acho que não,
Isso faz parte do jogo dela, me fazer focar na mudança,
Só para ela se alimentar da atenção
Eu queria não vê-la,
Para onde quer que eu olhe.

Nos sussurros compartilhados entre amantes,
Nas risadas animadas dos amigos, e o pior são as lembranças felizes,
As novas experiências que não posso mais compartilhar
E ela parece não ter interesse nelas.

Dizem que o tempo cura todas as feridas,
Mas essas cicatrizes criaram raízes,
E estão causando rachaduras na minha base,
Que devem ser dores de crescimento,
Pena que a gente nunca para de crescer,
O que significa que provavelmente nunca vou parar de sofrer.

E embora eu devesse superar isso,
Aceitar que essa dor faz parte de mim,
Não consigo evitar querer mais nada dela,
Minha tolerância não é tão alta quanto eu pensava.

Meu coração está doendo,
Sinto a dor borbulhando no meu peito,
A pressão das lágrimas querendo escapar, e  não importa quantas elas escapem,
A dor permanecerá.

Sem Reparos

Mãos arrastando-se nas correntes do livre-arbítrio, que puxam e repuxam a mente e o corpo, prendendo a alma à ganância e à ilusão lasciva sobre os corpos — que só trazem o inferno aos seus joelhos para aqueles que amam os sons do engano. Pois fomos levados a esquecer que um dia tivemos asas de intenções graciosas para criar o paraíso na terra.

Um espírito de guerreiro que tem o chamado do movimento e da mudança para a evolução maior.
Enquanto nos maravilhamos com a beleza do mundo, esquecemos que é fácil tecer uma teia que pode nos desalinhar e nos fazer cair em uma armadilha armada pela horda da prisão.

Lembre-se da liberdade que foi enjaulada como um labirinto que não lhe oferecerá uma saída sem um custo: assinar um contrato de alma que não pode ser visto nas letras miúdas — que a maioria não lê por ganância, perda, engano, tristeza, raiva sem reparos, ou deterioração da mente e do corpo pela perda da essência da alma.

A carne sofre apenas pela dor desejada, que pode ser um farol para a mente que buscará a verdade na luz e na escuridão — uma escolha que aguça os pensamentos como uma faca retorcida do mundo em seu ambiente receptivo, marcada a seu favor pela forma como você observa o lado interno e externo da consciência e desperta um ato de força, coragem e determinação.

Mas o que é a vida sem perceber o equilíbrio ou a vida das lições?
Quantas vidas são escritas em um livro de seu legado, ou feitas para serem vistas nas notícias da tragédia?

Enquanto permanecemos sozinhos, sem conhecer o poder do autoconhecimento em construção, podemos proferir palavras poderosas que podem se manifestar em verdades ou mentiras que se infiltram em ciclos repetidos com nossa natureza intencional, enquanto criamos ou quebramos suas maldições geracionais, ou repetimos a história e as linhas do tempo sem refletir sobre um tempo de mudança e transformação em revolução.

8 de fev. de 2026

O Satanista

Do Sinai desci, um facho a brilhar,
Sobre a turba ignóbil, sem luz a guiar.
Em sombras me abrigo, sem raio messiânico,
Na polpa da vida, um toque pagão, orgânico.

Salomé, querida, teu aceno me alcança,
Traz tua oferenda, sem véu, sem fiança.
Sem teu amor, sou obra incompleta,
Corrompe-me, amada, com tua dignidade secreta.

Em êxtase infernal, meu ser se desfaz,
Dissolvo, divido, me integro na paz
Da euforia que vibra em baixo, em meu ser,
Sou teu, em contorções de um doce sofrer.

O sol se empenhou, a ovelha se fez lobo,
A mosca da arca, em voo novo.
Meus pensamentos, insetos em feridas divinas,
O cosmo ferido, e as velhas ruínas.

O universo escasso, a primavera a jorrar,
O gelo a romper, o fluxo a arrastar.
Em êxtase infernal, meu ser se desfaz,
Dissolvo, divido, me integro na paz.

Da argila da perdição, meu brilho se lança,
Profana felicidade, em eterna dança.
Nascido da mentira, a viver escondido,
Em negação enrolado, em chamas perdido.

Sou a grande rebelião, sob habitando,
Um pecado que o próprio inferno teme, negando.
Sem culpa, razão, redentor ou vergonha,
Em capricho perverso, minha alma se empenha.

6 de fev. de 2026

Amém

Acredito em Satã, que rasga céus e terra,
No Anticristo, seu filho ilegítimo, a angústia futura.
Nascido de mentira e freira meretriz,
Reina na luxúria, acima dos reis, em triste matriz.

Com palavras afiadas, ajunto os santos messiânicos,
O enganador ressurge, abençoa com ira, infortúnios.
Colecionas hóstias, enganas a dor que geraste,
Yhwh, tu me chamaste, desequilibraste!

No êxtase da flagelação, queimo e flutuo em cinzas,
Tornei-me lei, na assimetria dos chifres, nas minhas.
Corto a vida, renuncio ao céu, esfrego bolor em páginas,
Deixo cupins na cruz, na minha eterna mágoa.

Rezei para morrer em Ti, Senhor, agora peço tua morte em mim,
Quem crucificará profetas, quem agitará o inferno sem fim?
Sentarei à esquerda de Satã, carcereiro vivo e morto,
Como era e sempre será, mundo sem fim, no meu remorso.

5 de fev. de 2026

Retorno de Saturno

Parece que os amigos são fantasmas
E os dias parecem semanas.

Sussurros de repente se tornam ensurdecedores
Quando os sussurros vêm de dentro.

Não converso mais com ninguém
Porque ninguém parece ter tempo.

Então, tenho conversas dentro de mim
E esses fantasmas são melhores amigos
Do que os de carne e osso.

Me pergunto o que virá a seguir

Sussurro do Veneno

Nas garras da sombra, o veneno jaz,
Uma serpente enroscada, um disfarce silencioso.
Sua língua, uma adaga, afiada e astuta,
Uma verdade amarga onde as virtudes morrem.

Pinga promessa, doce engano,
Um ópio onde o caos saúda.
Um gole, um beijo, a dívida profunda,
Onde os pulsos cessam, nenhum consolo encontrado.

Como o hálito perfumado de uma rosa murcha,
Seu abraço cruel, uma lápide revela.
Carícia fatal, sua arte refinada,
Um eco profundo na mente envenenada.

Cuidado, o sussurro, suave, sedutor,
Uma canção de ninar sombria e selvagem.
Com tom sedoso, chama seu nome,
E deixa sua alma em ruínas carbonizadas.

Carmesim contemplativo

O êxtase de uma ovelha selvagem,
Encontrar quem você ama em um navio,
Você é meu coração em seu pleno potencial,
A natureza do meu âmago condicional.

A árvore do nosso amor guarda minha alma,
Dentro dela está a água e o leite da nossa perfeição,
Prosperamos entre as estrelas, um reflexo marcante,
Em um mundo repleto de espinhos, nenhuma dor nos detém,
Em paz, em guerra, nenhuma alegria que pareça nos faltar,
Nossos centros conectados, seu paraíso imperturbável,
As raízes da nossa sabedoria, um verde brilhante,
Em tempos intensos, você é minha refeição favorita,
Um prazer unido olho no olho. É tão real.

Lágrimas da verdade

Do verde ao oceano eu viajo
Deitar-me sobre uma nuvem é verdade
Estou unido aos céus azuis
A curiosidade é meu pior pesadelo
A impaciência é minha conhecida fraqueza
E ainda assim, sozinho em tudo isso
Lar é um planeta cheio de alegria e caos
Olhos escritos com a tinta branca do compromisso
Tudo o que vi em minha jornada foi replicado em 7 dias
Caminhos desobstruídos, bênçãos colhidas no sexto dia
Lágrimas no rosto da minha alma, da verdade enquanto ela se ilumina.

4 de fev. de 2026

Bênção Escarlate

Sua boca é uma lâmina diante da qual me ajoelho de bom grado,
Calor escrito em vermelho onde a contenção se esvai.

Sou finais encarnados, desfeitos pela maneira como
seu hálito assina meu nome contra a escuridão.

O Espelho e o Portão

As mãos da Curandeira estão cansadas agora, De costurar feridas que ela não causou. De traduzir o silêncio em alma, Para um coração que só sabe receber.

Ela costumava ser a ponte para eles, A terapeuta, o mapa, a luz. Ela desconstruía estrelas para ajudá-los a enxergar, Enquanto eles traziam sombras para a noite.

Eles buscavam suas distrações fúteis, Uma fuga temporária e barata — E então traziam esse peso de volta à sua porta, Esperando uma forma diferente.

Mas o posto do Vigia está vazio agora, A honra se foi, o orgulho está frágil. Então o Sentinela se ergueu, Para impedir que o ruído entre.

Estou me preparando primeiro hoje, Não mais por último, não mais com pressa. A empatia está trancada, As explicações inúteis silenciadas.

A dormência não é frieza, não — É a armadura que finalmente criei. Para proteger a paz dentro destas paredes, Do mundo despedaçado que eu pensava conhecer.

Abandonei todo o trabalho de ensinar uma pedra a sentir. Estou recuperando o espelho para mim e permitindo que o Curador finalmente cure.

Vício em Dopamina

A luz fraca queimava meus olhos cansados.
O relógio marca uma da manhã.
A mente está vazia de insensatez,
mas inundada de pensamentos.
A irritação de
uma enxaqueca febril.

A dopamina atinge,
Nunca é o suficiente.
Rolando a tela sem parar até o amanhecer.
Isso silencia o fluxo lógico
Que minha mente antes criativa cultivava.

Mas eu alimento o vício faminto,
e ele me alimenta com uma felicidade temporária.

Realize-se

Se ao menos desejos pudessem se tornar realidade,
Eu tenho um, dois, talvez alguns,
E todos eles são sobre você,
Diga-me o que devo fazer agora.

Se ao menos sonhos pudessem se tornar realidade,
Então há uma chance para nós sermos,
E eu me entregarei completamente a você,
Na esperança de que você atenda ao apelo da minha alma.

Se ao menos desejos pudessem se tornar realidade,
Eu sei que ainda desejaria apenas você
Para estar ao meu lado para sempre,
Fazendo uma promessa de nunca nos separarmos.

3 de fev. de 2026

Um Reino de Corações em Decomposição

A única esperança se foi,
Sonhos sobre nós retornarão,
Para sempre quebrados e em decomposição,
Rebobinar a memória está se apagando,
A morte é a luz na escuridão.

Corte-se para se encaixar no molde,
Todos os homens bons se transformaram em pó,
Então tente não se esquecer de nós,
Corações enferrujados só podem ir até certo ponto,
Se perguntando se as memórias são chamadas da prisão,
Se a inocência morrer, então nós estaremos,
Para sempre quebrados e em decomposição.

Eu não te ensinei?
Não há como salvar os condenados,
Quando nós somos os condenados,
Não há mais Deus aqui.

Apenas um reino de corações em decomposição,
Então continue sonhando com memórias melhores,
Porque o funeral do último homem bom,
Está chegando mais cedo do que você esperava.

Os Antigos

Para além do portão, trancado em noite sem fim,
Perdido em estrelas, um reino ancestral, sombrio e ruim.
Os antigos despertam, Tiamat e Cthulhu, o horror,
Contra a luz que vacila, o céu escurecido em torpor.

O poder do abismo, odioso, se ergue em clamor,
Nós somos as profundezas, o caos e o terror.
Erguei-vos, ímpios, com ira em vosso olhar,
Meus inimigos, agora, são vossos, em seu pesar.

Distorcei suas mentes com feitiços cruéis,
Esmagai suas almas com sabedoria infernal, fiéis.
Um desprezo do Absu, o abismo a ranger,
Cthulhu aperta mandíbulas, sem nada a temer.

O caldeirão queima, recebe o mal que arde,
Esmagando a voz dos tiranos, que o ódio não guarde.
Levantando os chifres em blasfêmia e profanação,
Os antigos ressurgem, Tiamat, Cthulhu, em sua ascensão.

Erguei-vos, ímpios, com ira em vosso olhar,
Meus inimigos, agora, são vossos, em seu pesar.
Distorcei suas mentes com feitiços cruéis,
Esmagai suas almas com sabedoria infernal, fiéis.

Os antigos ressurgem, Tiamat, Cthulhu, a guiar,
Erguei-vos, ímpios, com ira em vosso olhar.
Meus inimigos, agora, são vossos, em seu pesar,
Distorcei suas mentes com feitiços cruéis a lançar.

Esmagai suas almas com sabedoria infernal a pulsar,
Nas profundezas do abismo, onde o mal há de reinar.

Jeffrey Dahmer

Um desejo peculiar, em mente a germinar,
Jeffrey, um plano traçado, com frieza singular.
Um homem liofilizado, para sempre em seu lugar,
As vontades repetidas, sem nunca se findar.
Acariciar, esfregar, eterno a contemplar,
E em fotos polaroid, o corpo a posar.

Mas a máquina custava um preço exorbitante,
Trinta mil, um abismo, o sonho a desmoronar.
O projeto descartado, um plano frustrante,
Um taxidermista consultado, a verdade a ocultar.
"Um coelho", mentiu, um disfarce falaz,
Enquanto a ambição por um homem o trazia audaz.

A máquina distante, o desejo a persistir,
Jeffrey com seu plano, a ideia a renascer.
Trinta mil, um obstáculo a transpor,
Um homem liofilizado, para sempre em seu poder.
A obsessão o guiava, sem jamais desistir,
Mas o custo o impedia, o sonho a se exaurir.

O Homem Rato

Num dia fatídico, um rato mordeu,
E a vida do homem mudou para pior.
O ódio por gatos, em seu peito nasceu,
Cabelos grisalhos, um novo temor.
Cresceu uma cauda, dentes pontudos a surgir,
Não é o homem-morcego, é o homem-rato a existir.

Espuma na boca, a raiva a borbulhar,
A transformação completa, um ser singular.
Agora se assemelha a um rato a vagar,
Com sede de sangue, felinos a caçar.
Nas ruas à noite, ele corre e se esgueira,
Melhor se esconder, sua sombra é traiçoeira.

M.O.R.T.O.

Engrenagens rangem, um eco de outrora,
Aço sem carne, em silêncio a sangrar.
Ossos quebrados, a força que outrora
Não pôde, no fim, a ruína evitar.
Lâminas sem vida, o fim anunciaram,
Correntes sem pulso, caçando sem fim.

Pele rasgada, a alma em desespero,
O homem sem ar, a vida a esvair.
"Mate todos", a voz do desespero,
Muralhas caídas, sem onde se abrigar.
"Mate todos", o grito ecoou no ar,
Ponte a arder, cultura a se desintegrar.

"Mate todos", o fogo abraça o mundo,
Cada ser vivo, em cinzas a findar.
Ossos em pó, um destino profundo,
Carne impotente, sem força para lutar.
"Viemos limpar", a promessa sombria,
O planeta esvaziado, para renascer.

Carne frágil, não nos pode deter,
A limpeza avança, a moer, a queimar.
Lâminas cortam, sem nada a temer,
Correntes arrastam, a carne a caçar.
O ciclo se fecha, em melancolia,
Fragmentos de metal, a nova paisagem.

2 de fev. de 2026

Laço Barulhento

O espírito do poeta evaporou-se lentamente,
Tornou-se cínico com o passar dos anos,
Abafado, destruído pela persistência estridente da cacofonia,
Que corre pelas veias e corredores do mundo;
Inspiração derretida em uma polpa frágil pelo laço barulhento,
Dos caminhões ruidosos e cães tagarelas
Que povoam a vizinhança, enchendo o ar,
O vento, com um clamor incessante;
Em breve, a alma do poeta
Será sepultada em meio ao tumulto.

Desastre

Que desastre,
Dizem tristemente,
Seus olhos brilhantes,
Inibem suas nuances.

Costumavam me olhar,
Lembro-me de ter te dito,
“Até a morte, não antes”
E hoje você me matou.

E hoje, o que te dizer?
Reflexão incessante
A verdade que insiste?
Ou a mentira cortante?

E amanhã é triste
E então é só arte.