13 de abr. de 2026

Duas Solidões 2

Em um mistério moderno nos escondemos,  
Longe de calendários, tempos esquecidos,  
Um olhar ressoa, longo e tenso,  
Tarde demais para mudar os sentidos.

Duas escuridões em busca do passado,  
Como a maré que sempre vem e vai,  
Línguas que esqueceram o alfabeto amado,  
Um eco distante, um sussurro que cai.

Nessa era que tudo mede pela pressa,  
Nós somos o atraso, a pausa, a dor.  
Um mundo que queima em busca da resposta,  
Mas somos a pergunta, o temor do amor.

Poderíamos ser luz, calor, conexão,  
Mas nos tornamos rastros na água a fluir,  
Como um ponto final, sem conclusão,  
Um eco que insiste em não existir.

Assim é o amor em tempos de agora,  
Reconhecimento da impossibilidade,  
Não o calor, mas a sombra que implora,  
Eternamente presos na saudade.

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