7 de jul. de 2026

Pequenos Demônios

Nos cantos escuros da mente, onde a sombra se instala,
Espreitam os demônios, pequenos e sorrateiros, que se amontoam.
Na juventude vulnerável, agarram-se com força,
Afogando em angústia, em sofrimento profundo e absorto.

Anos se passam, ocultos em recantos sombrios,
silenciosos e pacientes, aguardando o momento propício.
E então, deslizam insidiosamente, sussurrando aos ouvidos,
veneno destilado em palavras, que ferem e corroem.

"Não és suficiente", sibilam, gélidos e cruéis,
"apenas um vazio a preencher, um substituto cruel".
"Tu és o frio que congela, a solidão que se instala",
a auto-estima corroída, em ruínas e sem consolo.

Crê-se na derrota, na expulsão dos espectros malignos,
mas a posse se completa, em domínio silencioso e profundo.
A ilusão de liberdade, uma máscara que se esvai,
sob o peso dos sussurros, que a alma consome em vão.

E assim, na escuridão, os demônios se alimentam,
da fragilidade e insegurança, que eles mesmos criam.
Um ciclo perverso e sombrio, difícil de quebrar,
a batalha contra si mesmo, uma luta sem fim, para escapar.

Nuvens

Nuvens voam à noite.  
Os navios estão todos em dias de correria.  
Minha cabeça está borbulhando de pensamentos,  
Rasgo as palavras com mais precisão.  

É como se eu estivesse em um filme que vi.  
Aqui estou eu no topo da montanha,  
Sentindo a palma das costas,  
Frio da noite, mundos alienígenas.  

Então, de onde vem esse brilho?  
Não há estrelas visíveis e não há lua.  
E, invisível para mim, adeus  
Envia sonhos lindos e vívidos.  

Não, eu vi tudo isso quando criança,  
E ele lembrou, me surpreendendo.  
Continuei voando sobre o reino,  
Tendo vivido feliz nele por centenas de anos.  

E na manhã seguinte havia chuva fina.  
Esmaguei um monte de cereal.  
O ventilador soprou uma névoa branca,  
Branqueando a hipóstase do destino.

A Semente do Disfarce

Uma semente de disfarce, tão pequena,  
Plantada em solo onde a verdade não se formou.  
Árvore da vida, raízes a se entrelaçar,  
Cresço nas mentiras que você ousou semear.  

Enraizada fundo, onde a sombra se faz,  
Tento enxergar com olhos que a luz não traz.  
Gritos frágeis ecoam, não podem fugir,  
Presos no véu que insiste em cobrir.  

O fruto do disfarce, agridoce ao provar,  
Nascido do orgulho, que não sabe parar.  
Sob o brilho que cega, apodreço em silêncio,  
Cada mordida um peso, um lento veneno.  

Mordo, engulo a ilusão,  
Minto a mim mesmo, em busca de salvação.  
Na dança das máscaras, sigo a fingir,  
Sob a árvore da vida, tentando existir.

Flashes Fantasmagóricos

No céu, lampejos de espectros dançam,  
Visões fugazes, sombras que avançam.  
O desconhecido, cruel, se insinua,  
Golpeia o peito, a alma flutua.  

A melancolia, cinza, me rói,  
Estradas tortas onde o tempo se formou.  
A tempestade ri, sarcástica e fria,  
Trazendo caos, roubando harmonia.  

Com mãos trêmulas, marcas escondo,  
A consciência, oculta, se perco no fundo.  
A escuridão gruda, pegajosa e densa,  
Sirenes cortam, o silêncio é imensa.  

Bebo a solidão, selvagem, sem par,  
A hipocondria grita, quer me sufocar.  
Inveja pisa a alma, sonhos em clausura,  
Um cativeiro frio, sem luz, sem cura.  

Na estrada lamacenta, o passo é incerto,  
A sombra profetiza um destino deserto.  
Pássaros voam baixo, em círculos sombrios,  
Turbulência estranha, presságios vadios.  

Morto pela Morte

Cercado pelas sombras, um destino selado,
Morto pela morte, um enigma revelado.
A vida, uma piada de humor macabro,
Rindo da desgraça, um passo no vácuo.

O lago observador, em silêncio paira,
Seu fluxo interrompido, a dor não recua.
Ecos de lamento nas margens sussurram,
Desesperança gravada em pedras que murmuram.

Banqueteio entre mentes, mas permaneço faminto,
Buscando no caos um talento indistinto.
Desenho escuridão com palavras afligidas,
Acolhido por almas que as costas torcidas.

Minha história, um fardo de vidro quebrado,
Contado por enigmas, deixado de lado.
O paradoxo do riso e da respiração amarga,
Um flerte incessante, na morte se embarga.

A criança encontrou a luz esfacelada,
Entre risos nervosos e a visão embaçada.
No almoço, devoro visões, mas cego estou,
Fios de destino em volta, cercando-me sem fim.

Aos gemidos do mundo, meus ouvidos escutam,
Na neblina cerebral, pensamentos se tumultuam.
É o caos, no entanto, onde a loucura floresce,
Um labirinto de som e fúria que nunca arrefece.