8 de mai. de 2026

O Inferno me Escolheu

Armas de guerra em minhas mãos, uma fornalha em brasa,
Purificar esta terra infiel, a missão que me abraça.
Sou os olhos que esquadrinham, o engenheiro a abrir os portões,
A derrubar o céu, a desmantelar paraísos, a romper as canções.

Em seus olhos mortos, vejo meu reflexo, a verdade em questão,
Entre a fé e a mentira, teço a minha ilusão.
Minhas palavras, serpentes, rastejam, tecem teias em sua mente,
Escrituras de escuridão, anjos banidos, um destino iminente.

Chuva de cinzas, pesadelos infantis, a esperança se esvai,
Olhos vazios refletem o nada, um silêncio que atrai.
Ouça a tragédia doce, beba a blasfêmia que emana de mim,
A esperança esmagada, o arrebatamento profano, um fim sem fim.

Este inferno me escolheu, não foi minha decisão,
Um clamor ao Senhor, um grito de desolação.
Deus amaldiçoe o mundo, amaldiçoe esta vida que me consome,
No eco da guerra, me torno aquilo que anseia pelo esquecimento, sem nome.

Vômito

No crepúsculo, sem um suspiro, nos perdemos na dança,
Ao gemido amargo do homem, blasfemo, guloso.
A barriga anseia por pausa, recusa e devora,
Enquanto o vazio implora a libertação, sem demora.

O odor repulsa, as entranhas em agonia se contorcem,
Um hino eterno de náusea, a dor que consome e cresce.
A casca do homem, frágil, definha, em dilema se esmaga,
Consumir ou ser consumido, eis a eterna saga.

Salve os que se banham em excrementos, os canibais insanos,
Anseiam pela carne, impelidos a devorar o profano.
Não há limite para nossos cânticos, ecoam em dissonância,
No frio do descarte, relutantes em provar a substância.

O mofo floresce, a fome insaciável os devora,
Consuma. O odor insuportável, as entranhas em vórtice.
Um hino eterno de ânsias, a dor que em chamas arde.
Agradeça à podridão em meu interior, o vaso que explode.

Em septicidade, sangramos, nossa prole, praga maldita,
Um apetite perverso, eviscera-se para esquecer a vida.
Ser consumido novamente, eviscerar para o gosto banir,
Reconsumir o desperdício, num ciclo que não tem fim.

Dançando como a Chuva

Em brasa, um anseio me incendeia,
Torna-te meu refúgio, minha calmaria.
Teu vulto, um farol, não me desvia,
Eras meu universo, a luz do meu dia.

Se o passado é cinza, o futuro, um sonho a tecer,
E o agora, eternidade em nossas mãos,
Acende em mim o fogo do querer,
Devora-me em teus doces arcanos.

Dançamos qual chamas, na noite a bailar,
Em sintonia com o vento, antes de nos dissipar.
Tão longe, mas à vista, teu ser a me guiar,
Conheces meu peito, e voltas a tocar.

Sombras cintilantes, além da labareda,
Hipnotizado, teu olhar me seduz.
O fogo em teus olhos, uma doce enreda,
Surpresa me tomas, e foges na luz.

Puxa-me à pira, em chamas me envolve,
Cativa-me, eidolon, gravidade a me atrair.
Magnético, em êxtase, meu ser te devolve.
No fogo do teu ser, me deixo consumir.

Sombras a dançar, além da chama a arder,
Encantada, hipnotizada, tua presença me chama.
Leva o que resta, antes de desaparecer,
Uma ruga no tempo, onde teu rastro se inflama.

Onde vais quando fecho os olhos, meu amor?
O que vês em mim, o que te atrai?
Sou espectro, como tu, num eterno labor,
Entre melodias, minha alma se esvai.

7 de mai. de 2026

Um Monstro Dentro de Mim

Por todo o amor duvidoso que você recebeu de mim
Você finalmente entendeu, eu só estou te manipulando
Meu feitiço funciona de forma perversa
Você me viu como um anjo do céu
Mas eu estou devorando sua alma e tentando te destruir lentamente
Em nome do amor, eu quero arrancar seu coração desesperadamente
Porque existe um monstro maligno dentro de mim

Por todos esses anos que você desperdiçou
Após lutas intermináveis
Seu corpo está exausto
Seu coração está doendo
Você finalmente abriu os olhos
Não há nada de bom em ficar comigo
Porque eu sempre serei um monstro, afinal

Minha mente está ficando mais sombria
Este monstro rastejando em minha pele
Eu rezo a Deus para te salvar e a oração de um pecador é atendida quando você foge de mim
Eu não consigo me livrar deste monstro dentro de mim
Todos esses pensamentos perversos são loucura
Você está mais seguro sem a minha existência
Um monstro como eu não merece ser amado por alguém de coração puro como você...

Adeus Suave

Há uma força silenciosa
Em partir sem amargura,
Em escolher a paz
Em vez de incendiar cada despedida.

Nem todo fim precisa se tornar uma guerra,
Nem toda ferida precisa gritar
Só para provar que um dia existiu.

Então parei de perseguir
O que já estava indo embora.

Parei de me diminuir
Para caber em lugares que nunca me pareceram um lar.

Algumas partidas doem profundamente,
Mas permanecer onde o amor é incerto
Dói muito mais.

E ainda existem pessoas
Cuja ausência persiste como uma sombra —
Não porque exigiam atenção,
Mas porque sua presença
Carregava algo raro,
Algo que não pode ser substituído
Uma vez que se vai.

Mas não imploro mais
Para ser escolhida, compreendida ou mantida.

Sigo em frente silenciosamente agora,
Sem precisar de vingança
Por aqueles que escolheram a distância.

O silêncio me ensinou
Que a dignidade também pode ser uma forma de cura.

Porque o que foi real
Não precisa ser estridente para importar.
As verdadeiras conexões não desaparecem
Simplesmente porque terminaram.

Elas permanecem suavemente na alma
Sem pedir para serem revividas,
Apenas lembradas
Pela profundidade que um dia carregaram.