Purificar esta terra infiel, a missão que me abraça.
Sou os olhos que esquadrinham, o engenheiro a abrir os portões,
A derrubar o céu, a desmantelar paraísos, a romper as canções.
Em seus olhos mortos, vejo meu reflexo, a verdade em questão,
Entre a fé e a mentira, teço a minha ilusão.
Minhas palavras, serpentes, rastejam, tecem teias em sua mente,
Escrituras de escuridão, anjos banidos, um destino iminente.
Chuva de cinzas, pesadelos infantis, a esperança se esvai,
Olhos vazios refletem o nada, um silêncio que atrai.
Ouça a tragédia doce, beba a blasfêmia que emana de mim,
A esperança esmagada, o arrebatamento profano, um fim sem fim.
Este inferno me escolheu, não foi minha decisão,
Um clamor ao Senhor, um grito de desolação.
Deus amaldiçoe o mundo, amaldiçoe esta vida que me consome,
No eco da guerra, me torno aquilo que anseia pelo esquecimento, sem nome.