20 de jun. de 2026

O Que o Vazio Contém

O vazio é um quarto sem portas,  
Onde o eco do teu riso ainda mora.  
Um casaco esquecido no canto,  
Macio, gasto, cheirando a lar,  
Sussurra: “Fica. Não há pressa.”  

Ele guarda o que não se explica:  
teu olhar que não julgava,  
que via em mim mais que cacos,  
uma filha antes que eu soubesse ser.  
No silêncio, ele carrega  
o peso leve da tua paciência,  
o amor que não cobrava,  
só existia, quente, inteiro.  

O vazio é treze anos de cinza,  
um mundo que perdeu tua voz.  
Mas nele, há rastros teus:  
o jeito que me chamavas,  
o orgulho quieto que me erguia.  
Eu falo no escuro,  
tentando te trazer de volta,  
uma palavra, um instante,  
um milagre que não explica a falta.  

O vazio contém-te, ainda,  
na forma de um vazio que ensina:  
que o amor não precisa gritar,  
que um pai é um refúgio,  
e que, mesmo na saudade,  
teu nome me faz real.

A Arte de um Anjo

Teu canto é brisa, um sussurro sutil,  
Olhos de estrelas, onde sonhos se formam.  
Sabe o firmamento o milagre que surgiu?  
Que mãos celestes traçaram teu perfil?  

Pergunto à musa que te trouxe à existência,  
Como te teceu com tamanha essência?  
Foram anjos que moldaram tua luz,  
Reflexo da alma que o cosmos conduz?  

Doce como mel, ardente como o sol,  
Teu coração pulsa amor e canção.  
Não és preso ao pó da terra mortal,  
Nasceste da luz, do toque divinal.

As Demarcações na Poeira

Demarcações na poeira, como ecos perdidos,  
As palavras que soltamos voam ao vento,  
Golpeadas, absorvidas, em caminhos sentidos,  
Fragmentos de vida em um dilema canhoto.  

Palavras que mordem, mastigam, cuspidas,  
Cursivas caligrafias de um solilóquio interno,  
Rebeliões de sanidade, vaidade queridas,  
Ecos de um ego que busca o eterno.  

Santuário do sono, onde o dia se esgota,  
Procurando um final indiscreto,  
Colhendo os restos do que não se brota,  
Sombras respondem ao que há de secreto.  

Dias de trovão, tempestades passadas,  
Céus dilacerados por raios que ficaram,  
Fortunas de saber, atulhando as jornadas,  
Transformando coragem em medos que amparam.  

Na calada da noite, o relógio marca horas,  
Quatro e trinta e sete, insônia a me consolar,  
Conservando a mente em minúcias que imploras,  
Num mundo que muda, mas não quer se calar.  

A maturação da instabilidade a mente escava,  
Um peso esquecido, persistente na rotina,  
Nunca feri ninguém, mas a angústia grava,  
Um pacifista poético, nesta vida tão fina.  

Frustrações que lançam sobre teto e parede,  
Em pequenos estalos, a raiva se esvai,  
Mas versos e rimas são a minha rede,  
Na violência da pena, há uma paz que vai.  

Peco pela profanação, mas não há fúria,  
Acalmo a tempestade em letras e versos,  
As consequências dançam na penúria,  
Mas a miséria em silêncio é um dos meus universos.  

Junto os pedaços, sem saber se consertar,  
Num espaço-tempo de fragmentos e dor,  
A poesia se arruma, mesmo a hesitar,  
E na última frase ressoa meu clamor.  

Mas, por favor, não grite com este coração,  
Apenas fique atento ao que a alma diz,  
São demarcações na poeira, a nossa canção,  
E nas sombras dançantes, talvez encontre a feliz.

As Joias da Coroa

Ao olhar através da baía enevoada,  
Vejo Seu brilho brilhar em meu caminho,  
Aquela beleza esmeralda em exibição,  
As joias da coroa da Europa, são elas!  

Escuto a espuma espumante,  
Sua canção de amor carregada pela onda,  
Onde Sua suave e sedutora dança,  
Para conquistar minha alma, por todos os meus dias!  

Quanto mais ouço, mais preciso  
Ver, a beleza que Ela me implora  
Do outro lado daquele mar revolto,  
Então devo ir, e com Ela, estar!  

E através das ondas, que fluem douradas,  
De Suas margens, para onde devo ir,  
Seus tesouros aguardam, tão ousados, em exibição,  
Na beleza de Seus parentes, resplandecentes!  

E assim, Ela me espera, eu sei,  
Em algum lugar, no fim de um arco-íris,  
Lá Ela me acalma e me chama,  
A Sereia de um mar roubado!  

Então devo ir, para onde Ela espera,  
Nas profundezas do Seu destino oceânico,  
Além dos portões da escuridão profunda,  
Onde Sua perda e tristezas dormem!  

E lá eu vejo, Sua preciosa árvore,  
Da qual, o Ramo Dourado, sou eu!  
Então devo ir, ao Seu chamado,  
Onde outros Ramos Dourados caíram!  

E assim, Seu vento será meu corcel,  
Pois em Suas asas, eu sou liberto,  
Então cantarei Sua ode à glória, então Ela  
É meu destino, por toda a eternidade!  

16 de jun. de 2026

Ondas de Incerteza

Ela vagueia pelas sombras, em busca de luz,  
Um coração pesado, perdido na noite.  
Cada respiração é uma lembrança das batalhas travadas,  
Num mundo tão cruel, onde o amor é frequentemente procurado.  

Sussurros silenciosos ecoam, enquanto os sonhos desaparecem,  
Olhos cansados brilham com lágrimas, desencaminhando-a.  
Afogada em perguntas, ela anseia por um sinal,  
Por que eles a abandonam, à deriva em declínio?