1 de mai. de 2026
Soldado
Parece que os pessimistas são chamados de realistas e os otimistas de idealistas. A vida parece se basear em apenas uma dessas ideias, mas tenho uma fé genuína no que é bom, uma esperança inabalável de que tudo se resolva como deveria. Apesar das minhas neuroses, recuso-me a me submeter, porque se alguém permanece em seus dias sombrios, será consumido por eles.
Autópsia de Camus, arquivada em Causa Absurda
Os pulmões colapsaram.
Sem água.
Sem trauma.
Apenas… peso.
O patologista registrou o silêncio
Como sintoma.
Dentro do crânio:
Uma única frase gravada
Nas pregas corticais —
"Não há porquê."
Suas costelas dobraram-se para dentro
Como parênteses.
O coração?
Ainda intacto.
Mas, ao ser aberto,
Continha
Um ingresso de teatro
E uma pedrinha.
Não conseguiram determinar
Se foi suicídio
Ou filosofia.
Continue
Se não era
O que você queria.
Então por que
Você continuou
?
Tudo poderia ter
Acabado.
Sem tanta
Dor
Se você tivesse escolhido
Terminar as coisas
Do jeito certo.
Cidadão X
No azul do céu, um vazio se desenha,
Mistérios dançam na borda da razão,
Cidadão X em sua jornada estranha,
Onde o riso é lágrima e a dor, canção.
A vida é tiro certeiro na incerteza,
Um enigma que nunca se revela claro,
Como algodão-doce que ao toque se despesa,
Brilhante e frágil no horizonte raro.
Oh! Senhoras decepções que vêm e vão,
Falam bobagens com a voz da existência;
E entre holofotes busca-se a paixão—
Um renascimento sem fim em sua essência.
Eu uivo para o deserto à espera do eco,
Do mistério ardente dos cuspidores de fogo;
Não há mais surpresa neste mundo seco—
Só um eterno retorno ao que foi e logo.
O azul do céu ignora suas cores vivas,
Esquece as sombras que o tempo destila;
Mas aqui estou eu — alma pensativa —
Vivendo entre risos e uma vida tranquila.
18 de abr. de 2026
Dentro da Mente
Dentro da mente está o pensamento,
Vagueando em carne que apodrece,
Na sombra do ser, amorosamente,
Vivo, esperançoso, em um eterno contraste.
O que é essa essência corrupta,
Que sussurra dores à saúde frágil?
Afaste-se, olhe para o além do espelho,
Cada vida, uma página no livro da morte.
Aqui ou ali, mas sem um lar,
Vindo ou indo, apenas a se apagar,
A vida, um teste que prenuncia
O sonho, ao ecoar, da eternidade.
Abençoados e amaldiçoados,
Ouçam o grito do que se esvai,
Caminhando para o céu ou inferno,
Onde todos os pensamentos se desfazem.
Sussurros perversos na descida,
Somente o pensamento capta a dor,
E em um instante, na gaiola se torna,
Contando seus anos, à porta da morte.
Eu sou a Loucura, aqui existindo,
Dentro dos labirintos do pensar,
Eu sou a criatura esquecida,
No limiar de meu próprio despertar.
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