14 de abr. de 2026

A Peça do Diabo

Por que essa sensação me parece tão estranhamente familiar?
Quando fecho os olhos, o episódio começa,
Você se coloca como a atriz principal
Nos cantos mais escuros do meu coração.

Rezei por libertação desse apego.
Essas experiências parecem antinaturais, invasivas,
Como uma presença que nunca pediu permissão.
Já paguei o preço em silêncio.

Já suportei o suficiente.
Confessei minhas falhas e pedi misericórdia.
Eu me libertei. 
Então, por que você não?

A Cigana na Caverna

O véu da sombra, numa caverna fria,  
Espero o sol que aquece, a luz que me guia.  
Quero o calor do teu rosto, o fogo do teu olhar,  
Teu beijo que incendeia, um lar a me abrigar.  

Dá-me tudo, alma inteira, sem nada ocultar,  
Teu amor é minha bússola, meu norte a encontrar.  
Te amo em silêncio, com verdade que não minto,  
E quando perderes o rumo, serei teu labirinto.  

Guiarei teus passos, nas curvas da emoção,  
Um farol na escuridão, pulsar do coração.  
Vem, amante, traça o caminho, não temas errar,  
Somos do mesmo destino, nascidos pra se amar.  

Na penumbra, tanto tempo, meu mundo se formou,  
Teu brilho agora me cega, meu peito se formou.  
Tão belo, tão vivo, com teu violão a cantar,  
Despejas amor em notas, que não sei alcançar.  

Vejo-te com ela, teu coração a se doar,  
E invejo, em segredo, o que não posso tocar.  
Cigana na caverna, só sonhos a abraçar,  
Espero, desejo, anseio, teu amor conquistar. 

O Momento da Ruptura

Tenho muita coisa acontecendo,
Não consigo evitar desabar,
Há um limite para o que,
Uma pessoa forte pode suportar.

Tanta coisa acontece,
Em tão pouco tempo,
Um coração ferido,
Pode mexer com a sua mente.

Embora eu consiga ver,
Há um lado mais brilhante,
Todos esses fantasmas,
Sai de onde se escondem.

Então estou desabando,
Tirando o dia para me curar,
Não posso escapar,
De todos esses sentimentos que sinto.

Então eu sento e reflito,
Sobre a minha vida como um todo,
O que eu faço a respeito,
Qual caminho devo seguir.

Eu vou descobrir,
Em algum momento,
As coisas podem melhorar,
Mais adiante.

13 de abr. de 2026

Duas Solidões 2

Em um mistério moderno nos escondemos,  
Longe de calendários, tempos esquecidos,  
Um olhar ressoa, longo e tenso,  
Tarde demais para mudar os sentidos.

Duas escuridões em busca do passado,  
Como a maré que sempre vem e vai,  
Línguas que esqueceram o alfabeto amado,  
Um eco distante, um sussurro que cai.

Nessa era que tudo mede pela pressa,  
Nós somos o atraso, a pausa, a dor.  
Um mundo que queima em busca da resposta,  
Mas somos a pergunta, o temor do amor.

Poderíamos ser luz, calor, conexão,  
Mas nos tornamos rastros na água a fluir,  
Como um ponto final, sem conclusão,  
Um eco que insiste em não existir.

Assim é o amor em tempos de agora,  
Reconhecimento da impossibilidade,  
Não o calor, mas a sombra que implora,  
Eternamente presos na saudade.

Reinado da Rivalidade

Você reina apenas para ser meu rival,
Eu me sento no meu trono de sobrevivência,
Você domina através do engano,
Eu abro caminho através da percepção em camadas.

Você reivindica sua regência através de acusações injustas,
Eu uso minha coroa, por favor, eu não entro no seu jogo,
Você só é poderoso no seu mundo de ilusões, de se vestir e fingir,
Eu reino porque sou verdadeiro e leal até o fim.

Você usa minhas asas, valor roubado sobre sua cabeça
Eu simplesmente voo de qualquer maneira, descansando no meu palácio, não demorará muito para que todos estejamos mortos,
Você vive para rivalizar comigo, seguindo suas regras, é pura inveja
Eu sou talentoso e saúdo a heresia.