12 de abr. de 2026

Paradoxo

Onde uma vez cantamos para o sol e para o céu,
Agora murmuramos para as telas, sob luzes fluorescentes.
Nas linhas de batalha de silêncio e som,
Nós, reis e rainhas dos call centers, usamos nossa coroa.

O vento do deserto uiva, faz meus ossos tremerem,
Em São Paulo me proclamam, uma formiga rebelde.
Mas eu estendo a mão para outro estado, sob o sol escaldante,
E meus dedos frios e crepitantes acenam, desafiadores.

Cegos, minha namorada e eu, na espessa névoa do amanhã,
Esperando que o vento leve embora o cheiro do desespero.
Nesta civilização de angústia e agonia,
As mariposas devoram nossas bênçãos financeiras.

Mas ainda assim, na dor, vemos florescer o futuro,
Na luz divina que ilumina o túmulo vazio.
A esperança humana é frágil como um triângulo,
Pendurada em suspense, entre o agora e o eterno.

E ainda assim, em termos mínimos, o call center paga o aluguel,
E no final do dia, é isso que realmente importa.
Para nós, reis e rainhas dos teclados e das linhas telefônicas,
Nós resistimos, sobrevivemos, e vivemos para lutar mais um dia.

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