3 de fev. de 2026

M.O.R.T.O.

Engrenagens rangem, um eco de outrora,
Aço sem carne, em silêncio a sangrar.
Ossos quebrados, a força que outrora
Não pôde, no fim, a ruína evitar.
Lâminas sem vida, o fim anunciaram,
Correntes sem pulso, caçando sem fim.

Pele rasgada, a alma em desespero,
O homem sem ar, a vida a esvair.
"Mate todos", a voz do desespero,
Muralhas caídas, sem onde se abrigar.
"Mate todos", o grito ecoou no ar,
Ponte a arder, cultura a se desintegrar.

"Mate todos", o fogo abraça o mundo,
Cada ser vivo, em cinzas a findar.
Ossos em pó, um destino profundo,
Carne impotente, sem força para lutar.
"Viemos limpar", a promessa sombria,
O planeta esvaziado, para renascer.

Carne frágil, não nos pode deter,
A limpeza avança, a moer, a queimar.
Lâminas cortam, sem nada a temer,
Correntes arrastam, a carne a caçar.
O ciclo se fecha, em melancolia,
Fragmentos de metal, a nova paisagem.

0 comments: