4 de fev. de 2026

O Espelho e o Portão

As mãos da Curandeira estão cansadas agora, De costurar feridas que ela não causou. De traduzir o silêncio em alma, Para um coração que só sabe receber.

Ela costumava ser a ponte para eles, A terapeuta, o mapa, a luz. Ela desconstruía estrelas para ajudá-los a enxergar, Enquanto eles traziam sombras para a noite.

Eles buscavam suas distrações fúteis, Uma fuga temporária e barata — E então traziam esse peso de volta à sua porta, Esperando uma forma diferente.

Mas o posto do Vigia está vazio agora, A honra se foi, o orgulho está frágil. Então o Sentinela se ergueu, Para impedir que o ruído entre.

Estou me preparando primeiro hoje, Não mais por último, não mais com pressa. A empatia está trancada, As explicações inúteis silenciadas.

A dormência não é frieza, não — É a armadura que finalmente criei. Para proteger a paz dentro destas paredes, Do mundo despedaçado que eu pensava conhecer.

Abandonei todo o trabalho de ensinar uma pedra a sentir. Estou recuperando o espelho para mim e permitindo que o Curador finalmente cure.

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