Sobre os lençóis, um arrepio pálido e frio.
Uma sombra se agita onde não deveria haver ninguém,
Emergindo da escuridão para mim.
Sua pele é seda, tecida com luar,
Uma beleza desde o início dos tempos.
Com cabelos negros como azeviche e olhos de fogo,
Ela se alimenta do desejo da alma.
Nenhuma donzela mortal jamais poderia agraciar
As curvas aveludadas daquele rosto escuro.
Um sorriso carmesim, uma picada oculta,
Os segredos que os pássaros noturnos cantam.
Ela se inclina para perto, um sopro de especiarias,
Um toque tão frio quanto o gelo da montanha.
Contudo, naquele frio, um calor ardente,
Que faz os tambores pesados do coração baterem.
As paredes se dissolvem, o chão cede,
Para o crepúsculo onde os demônios brincam.
Ela sussurra nomes que eu nunca soube,
Em vozes antigas e estranhamente novas.
Uma armadilha de veludo, uma gaiola dourada,
Uma história escrita em uma página.
De homens que trocaram o fôlego pela felicidade,
E pereceram pelo beijo de um demônio.
Ela bebe a luz de olhos cansados,
Sob a máscara de um disfarce tênue.
A força dos membros, a centelha da mente,
São todos os tesouros que ela encontrará.
Seu riso ressoa como sinos de prata,
Dentro dos poços profundos e silenciosos.
Uma predadora em renda e osso,
Que reivindica a noite só para si.
O sol da manhã começa a surgir,
Enquanto estou perdido em um sono profundo.
Ela se desvanece como fumaça no ar,
Deixando apenas um fio de cabelo.
A cama está fria, o quarto está silencioso,
Contra a janela, o frio do inverno.
Espero que a escuridão volte,
Para encontrar minha beleza e meu fim.
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