Enquanto o calendário vai riscando os dias,
O dia dos namorados se aproxima veloz.
Todos exibem carinhos, gestos, alegrias,
E eu fico aqui sozinho — só na esperança atroz.
Nunca fui contaminado pelo vírus do amor,
Nunca peguei essa febre de compaixão.
Como se eu usasse luva branca de doutor
Pra me proteger da doença da paixão.
Com o passar dos anos o desejo vai crescendo,
As fantasias se armam, dançam na minha mente.
Vou jogando fora a roupa de médico que eu venho tendo,
Na esperança de que o amor, enfim, me encontre e me surpreenda.
O amor é a doença; o doente que se entrega e que deseja logo o contágio, quer sentir na pele inteira.
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