20 de jun. de 2026

O Que o Vazio Contém

O vazio é um quarto sem portas,  
Onde o eco do teu riso ainda mora.  
Um casaco esquecido no canto,  
Macio, gasto, cheirando a lar,  
Sussurra: “Fica. Não há pressa.”  

Ele guarda o que não se explica:  
teu olhar que não julgava,  
que via em mim mais que cacos,  
uma filha antes que eu soubesse ser.  
No silêncio, ele carrega  
o peso leve da tua paciência,  
o amor que não cobrava,  
só existia, quente, inteiro.  

O vazio é treze anos de cinza,  
um mundo que perdeu tua voz.  
Mas nele, há rastros teus:  
o jeito que me chamavas,  
o orgulho quieto que me erguia.  
Eu falo no escuro,  
tentando te trazer de volta,  
uma palavra, um instante,  
um milagre que não explica a falta.  

O vazio contém-te, ainda,  
na forma de um vazio que ensina:  
que o amor não precisa gritar,  
que um pai é um refúgio,  
e que, mesmo na saudade,  
teu nome me faz real.

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