Onde o eco do teu riso ainda mora.
Um casaco esquecido no canto,
Macio, gasto, cheirando a lar,
Sussurra: “Fica. Não há pressa.”
Ele guarda o que não se explica:
teu olhar que não julgava,
que via em mim mais que cacos,
uma filha antes que eu soubesse ser.
No silêncio, ele carrega
o peso leve da tua paciência,
o amor que não cobrava,
só existia, quente, inteiro.
O vazio é treze anos de cinza,
um mundo que perdeu tua voz.
Mas nele, há rastros teus:
o jeito que me chamavas,
o orgulho quieto que me erguia.
Eu falo no escuro,
tentando te trazer de volta,
uma palavra, um instante,
um milagre que não explica a falta.
O vazio contém-te, ainda,
na forma de um vazio que ensina:
que o amor não precisa gritar,
que um pai é um refúgio,
e que, mesmo na saudade,
teu nome me faz real.
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