25 de jun. de 2026

Alexitimia

Em torno do abismo, um véu a ocultar,  
Afreta a mente, sem nome a dar,  
Alexitimia, que causa um enigma a desvendar,  
Uma sombra, um reflexo, sem se revelar.

O que sinto, no eco do vazio,  
O que vejo, se tudo é bravio?  
Dentro de mim, um ser, cego e sem guia,  
Perscrutando emoções, em mares de maresia.

Não penso na curva do vento,  
A razão escoa, sem firmamento,  
Opções me são dadas, sutil exigência,  
Será alegria ou só consonância?

Na busca do nome, chamava depressão,  
Um porto seguro, uma falsa impressão,  
Mas disseram-me ao ouvido, a verdade entoaram,  
Era outra a voz que me interrogava.

Conhecimento, chama nas sombras, tão clara,  
Que ilumine caminhos e verdades avistadas,  
Em meio ao desconhecido, desejo, almejo,  
Que esta viagem me leve ao ensejo,

De sentir, de ver, sem véus a barrar,  
De saber quem sou, de me encontrar,  
Na intricada dança entre ser e sentir,  
Alexitimia, um dia, por fim, diluir.

22 de jun. de 2026

Não me pertence

Sem palavras desnecessárias, o cativeiro dos desejos,
O sopro da noite, a paixão preencherá.
Não há necessidade de fidelidade, traição,
Este mundo se lembrará de nós agora.

Sem olhares curiosos, apenas você e eu,
Nossos desejos, a torrente de sentimentos.
E limites e características se apagam,
Os gritos de orgasmo, como explosões.

Sombras das cornijas, carrascos,
Caem teimosamente sobre os ombros.
Silêncio antes de ir,
É muito mais fácil deixar ir.

Você partirá agora de qualquer maneira,
Enquanto a noite esconde todos os segredos.
E eu acreditarei na sua mentira,
Que você e eu não somos uma coincidência.

Sem palavras desnecessárias, o cativeiro dos desejos,
Suas mãos deslizam sobre meu corpo.
Eu não te quero em troca,
Não estou com você agora por tédio.

Eu entendo que você não me pertence,
E você nunca me pertence. 
Eu não deveria estar aqui,
Mas você não me deixa ir.

Buraco

Você deve conviver com o fardo que lhe foi imposto.
Um saco de pano ou o cetro de um tirano,
De parede a parede, o carrasco,
Execução.
Eles perfuram um buraco em seu crânio,
Eles derramam nova sabedoria nele,
Você não apagará seus feitos, seus marcos,
Você terá seu vale nas profundezas,
Um caixão chamado urna.
E assim o dia passará,
E à noite, um sabá de bruxas,
Então, espantalho, aprenda seu destino
A punição tem propriedades curativas... aparentemente

História de Fantasmas

História congelada em destinos sombrios,
Nos portões do futuro,
Esperando que o amor venha até mim,
Um domínio sobre corações que você nunca vê.

Aguardo dias melhores,
Eles nunca virão, ou assim dizem,
Pois o amor se desvaneceu de muitas maneiras,
Mas eu ainda permaneço em chamas ardentes.

Paixão, por favor, tome conta de mim,
Da terra para o mar,
Enterre meu orgulho em marés mais profundas,
Para que as lágrimas nunca caiam dos olhos.

A beleza vem para me libertar,
Um sinal de amor e soberania,
Pois agora seu fantasma nunca se mostrará,
O lado mais sombrio de sua alma assombrada.

Através de Véus Pixelados

Será ela uma sombra costurada em código?
Seus olhos refletem um brilho fabricado.
Uma verdade intangível ou um sonho engenhoso?
Dedos deslizam para pesar sua alma.

Pode a realidade florescer da névoa elétrica?
Cada clique, uma pergunta, suave e cruel.
Mostre-me provas, seu retrato se quebra,
Eu pondero: quem é real entre nós?

20 de jun. de 2026

O Que o Vazio Contém

O vazio é um quarto sem portas,  
Onde o eco do teu riso ainda mora.  
Um casaco esquecido no canto,  
Macio, gasto, cheirando a lar,  
Sussurra: “Fica. Não há pressa.”  

Ele guarda o que não se explica:  
teu olhar que não julgava,  
que via em mim mais que cacos,  
uma filha antes que eu soubesse ser.  
No silêncio, ele carrega  
o peso leve da tua paciência,  
o amor que não cobrava,  
só existia, quente, inteiro.  

O vazio é treze anos de cinza,  
um mundo que perdeu tua voz.  
Mas nele, há rastros teus:  
o jeito que me chamavas,  
o orgulho quieto que me erguia.  
Eu falo no escuro,  
tentando te trazer de volta,  
uma palavra, um instante,  
um milagre que não explica a falta.  

O vazio contém-te, ainda,  
na forma de um vazio que ensina:  
que o amor não precisa gritar,  
que um pai é um refúgio,  
e que, mesmo na saudade,  
teu nome me faz real.

A Arte de um Anjo

Teu canto é brisa, um sussurro sutil,  
Olhos de estrelas, onde sonhos se formam.  
Sabe o firmamento o milagre que surgiu?  
Que mãos celestes traçaram teu perfil?  

Pergunto à musa que te trouxe à existência,  
Como te teceu com tamanha essência?  
Foram anjos que moldaram tua luz,  
Reflexo da alma que o cosmos conduz?  

Doce como mel, ardente como o sol,  
Teu coração pulsa amor e canção.  
Não és preso ao pó da terra mortal,  
Nasceste da luz, do toque divinal.

As Demarcações na Poeira

Demarcações na poeira, como ecos perdidos,  
As palavras que soltamos voam ao vento,  
Golpeadas, absorvidas, em caminhos sentidos,  
Fragmentos de vida em um dilema canhoto.  

Palavras que mordem, mastigam, cuspidas,  
Cursivas caligrafias de um solilóquio interno,  
Rebeliões de sanidade, vaidade queridas,  
Ecos de um ego que busca o eterno.  

Santuário do sono, onde o dia se esgota,  
Procurando um final indiscreto,  
Colhendo os restos do que não se brota,  
Sombras respondem ao que há de secreto.  

Dias de trovão, tempestades passadas,  
Céus dilacerados por raios que ficaram,  
Fortunas de saber, atulhando as jornadas,  
Transformando coragem em medos que amparam.  

Na calada da noite, o relógio marca horas,  
Quatro e trinta e sete, insônia a me consolar,  
Conservando a mente em minúcias que imploras,  
Num mundo que muda, mas não quer se calar.  

A maturação da instabilidade a mente escava,  
Um peso esquecido, persistente na rotina,  
Nunca feri ninguém, mas a angústia grava,  
Um pacifista poético, nesta vida tão fina.  

Frustrações que lançam sobre teto e parede,  
Em pequenos estalos, a raiva se esvai,  
Mas versos e rimas são a minha rede,  
Na violência da pena, há uma paz que vai.  

Peco pela profanação, mas não há fúria,  
Acalmo a tempestade em letras e versos,  
As consequências dançam na penúria,  
Mas a miséria em silêncio é um dos meus universos.  

Junto os pedaços, sem saber se consertar,  
Num espaço-tempo de fragmentos e dor,  
A poesia se arruma, mesmo a hesitar,  
E na última frase ressoa meu clamor.  

Mas, por favor, não grite com este coração,  
Apenas fique atento ao que a alma diz,  
São demarcações na poeira, a nossa canção,  
E nas sombras dançantes, talvez encontre a feliz.

As Joias da Coroa

Ao olhar através da baía enevoada,  
Vejo Seu brilho brilhar em meu caminho,  
Aquela beleza esmeralda em exibição,  
As joias da coroa da Europa, são elas!  

Escuto a espuma espumante,  
Sua canção de amor carregada pela onda,  
Onde Sua suave e sedutora dança,  
Para conquistar minha alma, por todos os meus dias!  

Quanto mais ouço, mais preciso  
Ver, a beleza que Ela me implora  
Do outro lado daquele mar revolto,  
Então devo ir, e com Ela, estar!  

E através das ondas, que fluem douradas,  
De Suas margens, para onde devo ir,  
Seus tesouros aguardam, tão ousados, em exibição,  
Na beleza de Seus parentes, resplandecentes!  

E assim, Ela me espera, eu sei,  
Em algum lugar, no fim de um arco-íris,  
Lá Ela me acalma e me chama,  
A Sereia de um mar roubado!  

Então devo ir, para onde Ela espera,  
Nas profundezas do Seu destino oceânico,  
Além dos portões da escuridão profunda,  
Onde Sua perda e tristezas dormem!  

E lá eu vejo, Sua preciosa árvore,  
Da qual, o Ramo Dourado, sou eu!  
Então devo ir, ao Seu chamado,  
Onde outros Ramos Dourados caíram!  

E assim, Seu vento será meu corcel,  
Pois em Suas asas, eu sou liberto,  
Então cantarei Sua ode à glória, então Ela  
É meu destino, por toda a eternidade!  

16 de jun. de 2026

Ondas de Incerteza

Ela vagueia pelas sombras, em busca de luz,  
Um coração pesado, perdido na noite.  
Cada respiração é uma lembrança das batalhas travadas,  
Num mundo tão cruel, onde o amor é frequentemente procurado.  

Sussurros silenciosos ecoam, enquanto os sonhos desaparecem,  
Olhos cansados brilham com lágrimas, desencaminhando-a.  
Afogada em perguntas, ela anseia por um sinal,  
Por que eles a abandonam, à deriva em declínio?

O fardo

O véu de um sorriso forçado, reside a dor,
Um fardo pesado, que a alma devora sem amor.
No silêncio do peito, a tristeza se instala,
Um peso constante, que a vida desnaturaliza.

A máscara da alegria, esconde um sofrimento profundo,
Um mar revolto, em um cálice sereno e rotundo.
O mundo gira em caos, almas feridas e perdidas,
Em um eco vazio, as esperanças são divididas.

Planeta esgotado, coração contaminado,
A compaixão se exila, o futuro desolado.
Os sonhos, frágeis flores, murcham antes do amanhecer,
Em cada madrugada, a angústia volta a crescer.

Este fardo me oprime, um nó na garganta apertado,
Um grito silencioso, em um mundo desolado.
A cura parece distante, a sombra persiste em seu lugar,
Resta apenas a esperança, de um alívio, um novo ar.

O Enigma

A sombra da dúvida, um enigma cruel,
Sinais distorcidos, uma leitura incompleta.
Aproximo-me cauteloso, num passo discreto e vel,
Mas a imagem esvai-se, num turbilhão inseguro e reto.

As pistas, um labirinto de sombras e dor,
Um coração tentador, que pulsa em vão.
Oferece um amor que não pode alcançar, jamais,
Um desejo contido, numa prisão sem chão.

Os indícios me enganam, num jogo perverso e frio,
Apontam para um destino, distante e obscuro.
Tentativas frustradas, em vão me esfacelo,
Nesta busca infrutífera, e este enigma escuro.

Uma linha reta para uma alma distante, perdida,
Mas paredes invisíveis, impedem a união.
A proximidade ansiada, um sonho sofrido e ferida,
O quebra-cabeça incompleto, em profunda aflição.

Tudo vira pó

Muitas vezes, tudo o que consideramos importante,
Com o passar dos anos, tudo vira pó.
Tudo isso nos deixa nervosos duas vezes. 
O que resta é a derrota e o medo.

Aquelas pessoas que eram quase santas para nós, Escolheram seu próprio caminho difícil e pecaram. Acreditávamos que as verdades simples eram claras. 
Não se trai no delírio do prazer.

Ainda considerávamos nossas famílias importantes.
Ele próprio não conseguiu alcançar riqueza ou níveis de inteligência. 
Ele sempre colocou o dinheiro em primeiro lugar. 
E, em um instante, você está no portão trancado.

Não temos pena daqueles que ontem deram o exemplo. 
Ele separou a glória das pessoas na frente de todos.
Tudo estava providenciado, todas as medidas de seguro. 
Mas esqueci uma coisa: a Pátria não é um blefe.

O Tibete

Vou trilhar um caminho espinhoso
Para conhecer a irmã vermelha:
Sob a chuva quente de junho
Vamos brincar juntos com as crianças.

Vou dar o calor das bochechas vermelhas
Abençoada estrela branca
E riachos prateados e frescos,
Pérolas do lindo orvalho.

E, claro, um chamado ardente
Esmeralda, boa terra,
Canções de jovens lutadores vermelhos
E amor puro e gratuito.

Eu vou te contar sobre o oceano noturno,
Pensamentos e sentimentos nobres,
E então - a batida do tambor,
Aproveitando a dança do mangusto.

Faremos uma aliança sagrada,
Dois planetas brilhantes e inteligentes:
As comportas se abrirão para uma nova vida
E tempo feliz de vitórias!

A estrela carmesim está longe -
O duro Tibete me espera.
Não é fácil estar sozinho entre as montanhas,
Mas encontrarei a resposta certa.

Mortalidade

A morte, essa enigmática passagem,  
É o que a vida, em seu dar e tomar,  
Nos convida a refletir em sua miragem:  
Uma extensão, um eco a nos guiar.

Você pode apontar a arma, ensaiar o ato,  
Mas nunca exterminará a essência que aflora.  
Bala e veneno, o corpo em contrato,  
A carne cede, porém a memória ainda implora.

Sou a brisa que dança nas folhas ao vento,  
O murmúrio das ondas que nunca se vão.  
Trago nos rostos de quem perdi o lamento,  
Um legado vivido em cada conexão.

Corações que guardam um fragmento de mim,  
Histórias entrelaçadas, sussurros do passado.  
Mesmo em silêncio, a vida não tem fim;  
Na constelação das almas, eterno é o legado.

Seus gritos são ecos em noites de penumbra,  
Eu, que me recuso a ser apenas um dado.  
A verdade é que a vida, num ciclo, deslumbra:  
Sou luz nas estrelas, sou eternamente amado.

Então, pode tentar me apagar do presente,  
Mas saiba que a morte é só um véu sutil.  
Estou nas memórias, em cada semente,  
E nunca, jamais, morrerei de modo vil.

Dizem

Dizem que o jeito errado é o certo,   
Onde o choro ecoa, o escuro é o perto.   
Justamente ao tentar encontrar a paz,   
Errantes pensamentos, como ondas, se fazem mais.   
Frequências ruins dançam em minha cabeça,   
Roupas de tristeza, a mesma certeza.   
A luta interna, um corpo cansado,   
De sábado perdido, um tempo amargurado.   
Endireitar a dor é um desejo constante,   
Minhas feridas falam, um lamento distante.   
O eco do trauma ressoa,   
Silêncio que grita, a alma é quem doa.

A Tristeza

Como caíram os poderosos
E as armas de guerra pereceram.

O que antes era selvagemente belo
Está acorrentado, agora, pela humanidade,
Estressado, incapaz de se mover,
Incapaz de se alimentar, perdendo sua pelagem.

Não há vitória em destruir outra vida.

Os humanos não têm mais direitos do que qualquer outro animal.

Café

A poeta senta-se com o laptop no banco
Observando as pessoas na rua que passam.
Ninguém a nota: ele habita a sombra.
Um barista lhe traz uma xícara fumegante,
Seu aroma cortando sua solidão.
O vapor sobe como fantasmas de eras
Lembrando-a de tempos e pessoas que se foram.
Ele toma um gole: o calor revive as memórias
De ser outra pessoa, tão distante daqui.
Ele toma outro gole e começa a escrever.

O Peso das Sombras Familiares

Padrões antigos se agarram como cardos teimosos,
Vozes próximas, porém distantes como a geada.
Suas mãos, ausentes quando o fogo se apaga,
Nomes ligados por sangue flutuam em ecos ocos.

Eu me recomponho com passos instáveis,
Cada amanhecer costurado com fios de vontade.
A estrada à frente sussurra algo puro,
Um eu forjado, inflexível, inteiramente meu.

Lançado em Águas Frias

Lança-me em águas que não sabem fluir, imagina-me sob a luz das estrelas, lembra-te de mim como a chuva pesada na cidade.

Um despertar frio e desesperado, perdido na geada de coisas indizíveis, preso numa teia de aranha, enquanto corações se transformam em mofo.

Humilde meu começo, esteja comigo até a morte, no fim da miséria, não vejo futuro algum.

Pois isso permanece comigo, por todos os meus dias, persistindo nas profundezas da tristeza.

Mas abandonado à própria sorte.

O que apaga toda a minha dor, as nuvens de tempestade se acumulam no céu, mas não vejo uma gota de chuva, pois seu amor por mim agora morreu.

8 de jun. de 2026

Um Dia, Nós Nos Esqueceremos

Um dia,  
seu nome será brisa distante,  
um eco preso em ruas tortuosas.  
Buscarei o tom da sua risada,  
mas só encontrarei vácuo,  
não o que corta,  
apenas o que se dissolve,  
leve, como cinzas ao vento.  

Na sua rotina,  
ao segurar uma caneca,  
seus dedos vão pausar, incertos,  
como se tocassem um vazio com forma.  
Serei eu,  
ou quase eu,  
um rastro que não explica.  

Não haverá rancor,  
nem buscas em vão.  
Apenas seguiremos,  
como quem deixa pegadas na areia,  
esquecendo os quartos,  
os silêncios,  
os nós que nunca desatamos.  

Primeiro, somem os detalhes:  
o jeito que seu olhar dançava,  
o calor do seu ombro no escuro,  
o ritmo exato dos nossos passos juntos.  
Murcham,  
como flores que ninguém rega,  
até virarem pó na memória.  

Depois, as âncoras se soltam:  
o porquê do fim,  
as frases engolidas,  
os meios-termos que nunca achamos.  
Restará um vazio limpo,  
sem culpa ou peso,  
apenas o contorno do que fomos.  

Mas, quem sabe,  
em algum canto do tempo,  
você pare,  
sinta um vazio sem nome,  
e, sem entender,  
saiba que, um dia,  
quase fomos eternos.

Atenas

Não consigo evitar,
Continuo olhando para baixo,
Quando tudo está quieto,
As poças refletem a luz das guerras
Que se chocam em terras distantes.

Uma dança eterna, não tão bruxuleante,
Não tão brilhante,
Mas viva, ondula e se entrelaça,
No espelho líquido da minha solidão.

Foda-se os deuses e todo aquele brilho,
Eu tinha certeza de que conseguiria fazer tudo direito desta vez,
Mas o rosto torto no derretimento errante da neve
Revela a arrogância que insiste em permanecer,

Neste portal entre brilhos,
Entre sombras,
Entre o que é e o que parece ser.

E ainda assim, olho para baixo,
Esperando que as poças revelem
Não só guerras distantes,
Mas também o que há em mim,
Que insiste em se perder,
Entre o reflexo e a realidade.

Soneto sem Título

Enquanto o calendário vai riscando os dias,  
O dia dos namorados se aproxima veloz.  
Todos exibem carinhos, gestos, alegrias,  
E eu fico aqui sozinho — só na esperança atroz.

Nunca fui contaminado pelo vírus do amor,  
Nunca peguei essa febre de compaixão.  
Como se eu usasse luva branca de doutor  
Pra me proteger da doença da paixão.

Com o passar dos anos o desejo vai crescendo, 
As fantasias se armam, dançam na minha mente.  
Vou jogando fora a roupa de médico que eu venho tendo,  
Na esperança de que o amor, enfim, me encontre e me surpreenda.

O amor é a doença; o doente que se entrega e que deseja logo o contágio, quer sentir na pele inteira.

6 de jun. de 2026

A Dança Atada da Profundidade e da Sepultura

Até onde a respiração alcança, a vida se desdobra amplamente,
Mas as sombras seguem de perto, seus sussurros se entrelaçam.
O orbe fugaz do tempo gira, tanto refúgio quanto guia,
Cada pulso um passo mais perto da tênue linha da morte.

Agarramo-nos aos dias, embora sejam fugazes e impiedosos,
Cada amanhecer arde com uma graça emprestada e fugaz.
Mas em seu brilho, encontramos um hino sombrio,
O gêmeo de rosto luminoso da vida veste a face eterna da noite.

A alma, uma ponte das profundezas à altura infinita,
Trilha caminhos onde a dúvida e o consolo coexistem.
À medida que a morte se aproxima, ela oferece uma visão mais clara,
Revelando verdades que o ruído da vida muitas vezes negou.

Nesta valsa íntima, rival e amiga,
No abraço da morte, a vida compreende plenamente.

Sussurros de um Coração Emplumado

Minhas asas sussurram segredos para o céu,
Doces ecos pairam suavemente em minha língua.

Eu crio melodias que embalam sua tristeza,
Vibrando para trás em sonhos ainda não desvendados.

Leve como uma moeda, mas repleta de força,
Eu me elevo com serenidade,
Gentil como o último suspiro do crepúsculo,
O pulsar de um beija-flor invisível.

Pensamentos

Então, meu cérebro está constantemente funcionando
Através de ilusões ou delírios
Alimentando minha cabeça com pensamentos
Que simplesmente continuam sendo alimentados
Sem parar, eu digo a mim mesmo para simplesmente parar de pensar
Eu nunca consigo ser feliz ou estar no meu auge de felicidade
Energia de pensamentos constantes e repetitivos
Simplesmente me atinge instantaneamente.

Noiva de Guerra

Minha noiva de guerra em sua armadura
E seu brasão, a serpente prateada.

Infinito, a devoradora de caudas,
Marcando seu caminho
Resiste ao arnês que fui
Compelido a envolver como meu
Em nossas cinturas. Compartilharemos a dor,
Mas a vida dela é dela.

2 de jun. de 2026

O Abismo Silencioso

Eu o observei, uma visão sombria,
Seus olhos, antes vastos, agora vazios como orvalho.

Sem brilho, sem calor, sem sinal de conexão,
Apenas um vazio onde as estrelas se extinguem.

Ele despreza ou lamenta em dor?

As respostas se afogam em um refrão frio.

Meus pensamentos se estendem, tropeçam e caem,
Ecoando o silêncio, sem ponte alguma.

Sozinho

Tento me lembrar
de que ninguém caminha sozinho nesta vida,
que em algum lugar além destas paredes
alguém também está lutando para respirar.

Mas a noite tem uma maneira cruel
de desfazer todo pensamento reconfortante.

Quando me deito acordado no escuro,
o silêncio se torna ameaçador.

As sombras se estendem pelo quarto,
e todo medo que enterrei à luz do dia
encontra o caminho de volta para mim.

Os monstros rastejam silenciosamente então,
não debaixo da cama,
mas dentro da minha mente,
sussurrando que ninguém jamais poderia entender
o peso que carrego.

E na quietude,
com apenas o zumbido da noite ao meu lado,
sinto a dor de ser invisível.

Sinto o vazio se instalar no meu peito.

Sinto-me sozinho.

Esculturas Perfeitas

Como posso contemplar a lua em toda a sua beleza quando Deus levou nove meses para aperfeiçoar seus olhos?

Ele esculpiu aquilo que a lua só pode imaginar um dia se tornar.