As palavras que soltamos voam ao vento,
Golpeadas, absorvidas, em caminhos sentidos,
Fragmentos de vida em um dilema canhoto.
Palavras que mordem, mastigam, cuspidas,
Cursivas caligrafias de um solilóquio interno,
Rebeliões de sanidade, vaidade queridas,
Ecos de um ego que busca o eterno.
Santuário do sono, onde o dia se esgota,
Procurando um final indiscreto,
Colhendo os restos do que não se brota,
Sombras respondem ao que há de secreto.
Dias de trovão, tempestades passadas,
Céus dilacerados por raios que ficaram,
Fortunas de saber, atulhando as jornadas,
Transformando coragem em medos que amparam.
Na calada da noite, o relógio marca horas,
Quatro e trinta e sete, insônia a me consolar,
Conservando a mente em minúcias que imploras,
Num mundo que muda, mas não quer se calar.
A maturação da instabilidade a mente escava,
Um peso esquecido, persistente na rotina,
Nunca feri ninguém, mas a angústia grava,
Um pacifista poético, nesta vida tão fina.
Frustrações que lançam sobre teto e parede,
Em pequenos estalos, a raiva se esvai,
Mas versos e rimas são a minha rede,
Na violência da pena, há uma paz que vai.
Peco pela profanação, mas não há fúria,
Acalmo a tempestade em letras e versos,
As consequências dançam na penúria,
Mas a miséria em silêncio é um dos meus universos.
Junto os pedaços, sem saber se consertar,
Num espaço-tempo de fragmentos e dor,
A poesia se arruma, mesmo a hesitar,
E na última frase ressoa meu clamor.
Mas, por favor, não grite com este coração,
Apenas fique atento ao que a alma diz,
São demarcações na poeira, a nossa canção,
E nas sombras dançantes, talvez encontre a feliz.
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