25 de jun. de 2026

Alexitimia

Em torno do abismo, um véu a ocultar,  
Afreta a mente, sem nome a dar,  
Alexitimia, que causa um enigma a desvendar,  
Uma sombra, um reflexo, sem se revelar.

O que sinto, no eco do vazio,  
O que vejo, se tudo é bravio?  
Dentro de mim, um ser, cego e sem guia,  
Perscrutando emoções, em mares de maresia.

Não penso na curva do vento,  
A razão escoa, sem firmamento,  
Opções me são dadas, sutil exigência,  
Será alegria ou só consonância?

Na busca do nome, chamava depressão,  
Um porto seguro, uma falsa impressão,  
Mas disseram-me ao ouvido, a verdade entoaram,  
Era outra a voz que me interrogava.

Conhecimento, chama nas sombras, tão clara,  
Que ilumine caminhos e verdades avistadas,  
Em meio ao desconhecido, desejo, almejo,  
Que esta viagem me leve ao ensejo,

De sentir, de ver, sem véus a barrar,  
De saber quem sou, de me encontrar,  
Na intricada dança entre ser e sentir,  
Alexitimia, um dia, por fim, diluir.

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