8 de mai. de 2026

O Inferno me Escolheu

Armas de guerra em minhas mãos, uma fornalha em brasa,
Purificar esta terra infiel, a missão que me abraça.
Sou os olhos que esquadrinham, o engenheiro a abrir os portões,
A derrubar o céu, a desmantelar paraísos, a romper as canções.

Em seus olhos mortos, vejo meu reflexo, a verdade em questão,
Entre a fé e a mentira, teço a minha ilusão.
Minhas palavras, serpentes, rastejam, tecem teias em sua mente,
Escrituras de escuridão, anjos banidos, um destino iminente.

Chuva de cinzas, pesadelos infantis, a esperança se esvai,
Olhos vazios refletem o nada, um silêncio que atrai.
Ouça a tragédia doce, beba a blasfêmia que emana de mim,
A esperança esmagada, o arrebatamento profano, um fim sem fim.

Este inferno me escolheu, não foi minha decisão,
Um clamor ao Senhor, um grito de desolação.
Deus amaldiçoe o mundo, amaldiçoe esta vida que me consome,
No eco da guerra, me torno aquilo que anseia pelo esquecimento, sem nome.

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