Torna-te meu refúgio, minha calmaria.
Teu vulto, um farol, não me desvia,
Eras meu universo, a luz do meu dia.
Se o passado é cinza, o futuro, um sonho a tecer,
E o agora, eternidade em nossas mãos,
Acende em mim o fogo do querer,
Devora-me em teus doces arcanos.
Dançamos qual chamas, na noite a bailar,
Em sintonia com o vento, antes de nos dissipar.
Tão longe, mas à vista, teu ser a me guiar,
Conheces meu peito, e voltas a tocar.
Sombras cintilantes, além da labareda,
Hipnotizado, teu olhar me seduz.
O fogo em teus olhos, uma doce enreda,
Surpresa me tomas, e foges na luz.
Puxa-me à pira, em chamas me envolve,
Cativa-me, eidolon, gravidade a me atrair.
Magnético, em êxtase, meu ser te devolve.
No fogo do teu ser, me deixo consumir.
Sombras a dançar, além da chama a arder,
Encantada, hipnotizada, tua presença me chama.
Leva o que resta, antes de desaparecer,
Uma ruga no tempo, onde teu rastro se inflama.
Onde vais quando fecho os olhos, meu amor?
O que vês em mim, o que te atrai?
Sou espectro, como tu, num eterno labor,
Entre melodias, minha alma se esvai.
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