12 de mai. de 2026

Silhueta de Devoção Fantasmagórica

Sob seu olhar, a lua sonolenta  
Acaricia pés descalços na areia,  
Caminhos tristes, sombras que inventam  
A boa mentira da palavra alheia.  

Vive a intensidade de uma criança,  
Lutando em mares onde o amor se afoga,  
Recordações de um naufrágio em dança,  
Desenterradas por uma memória sôfrega.  

Um menino relutante, a alma presa,  
Com sua caneta furiosa e sem paz,  
Rasgando os ventos com dor e tristeza,  
Visitante egoísta que nunca se faz.  

Alcançando a silhueta espectral da devoção,  
Na escrivaninha do sol que já se apaga;  
Outrora suave como a pomba em oração,  
Agora é pedra amarga que o coração estraga.  

Tristeza e fragilidade entrelaçadas,  
Violinos feridos choram em lamento;   
Enterram os sonhos em noites apagadas   
Para plateias cegas ao mais puro sentimento.  

Nenhum convidado do coração é verdadeiramente fiel;   
O alfa e o ômega dançam no escuro abissal;   
Adeus, mentor... na penumbra um réquiem cruel;   
Uma sombra perdida sob um céu tão banal.

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