Sob seu olhar, a lua sonolenta
Acaricia pés descalços na areia,
Caminhos tristes, sombras que inventam
A boa mentira da palavra alheia.
Vive a intensidade de uma criança,
Lutando em mares onde o amor se afoga,
Recordações de um naufrágio em dança,
Desenterradas por uma memória sôfrega.
Um menino relutante, a alma presa,
Com sua caneta furiosa e sem paz,
Rasgando os ventos com dor e tristeza,
Visitante egoísta que nunca se faz.
Alcançando a silhueta espectral da devoção,
Na escrivaninha do sol que já se apaga;
Outrora suave como a pomba em oração,
Agora é pedra amarga que o coração estraga.
Tristeza e fragilidade entrelaçadas,
Violinos feridos choram em lamento;
Enterram os sonhos em noites apagadas
Para plateias cegas ao mais puro sentimento.
Nenhum convidado do coração é verdadeiramente fiel;
O alfa e o ômega dançam no escuro abissal;
Adeus, mentor... na penumbra um réquiem cruel;
Uma sombra perdida sob um céu tão banal.
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